Agenda do Samba & Choro

Paulo César Pinheiro

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ANTOLOGIA POÉTICO-MUSICAL
PAULO CÉSAR PINHEIRO, UM REFÉM DA SOLIDÃO


Quem da solidão fez seu bem
Vai terminar seu refém
E a vida passa também
Não vai nem vem
Vira uma certa paz
Que não faz nem desfaz
Tornando as coisas banais
E o ser humano incapaz de prosseguir
Sem ter pra onde ir
Infelizmente eu nada fiz
Não fui feliz nem infeliz
Eu fui somente um aprendiz
Daquilo que eu não quis
Aprendiz de morrer
Mas pra aprender a morrer
Foi necessário viver
E eu vivi
Mas nunca descobri
Se essa vida existe
Ou se essa gente é que insiste
Em dizer que é triste ou que é feliz
Vendo a vida passar
E essa vida é uma atriz
Que corta o bem na raiz
E faz do mal cicatriz
Vai ver até que essa vida é morte
E a morte é
A vida que se quer

Refém da Solidão – com Baden Powell



Todos sabem que o meu coração
É uma casa aberta não sei porque
Portas e janelas dão pra você
Dão, deram e darão

E Lá Se Vão Meus Anéis – com Eduardo Gudin



Lembre apenas do que foi bonito
Pois jura de amor sem fim nem que morra
Lembrado assim será sempre infinito

Lindalva – com Francis Hime



Na varanda da sacada
Clareando a noite nua
O olhar da minha amada
Refletia a luz da lua

Hoje a lua na calçada
É só uma velha amiga
O olhar da minha amada
Já virou história antiga
Muita vida foi passada
Mas em noite enluarada
Inda lembro da cantiga

História Antiga – com Dori Caymmi



Por toda a vida a vida me ensinou
Ninguém deve chorar de mal de amor

Coração Sem Saída – com Dori Caymmi



A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo

Desenredo – com Dori Caymmi



Não vá pensar que o amar
É a solução
Não pense não
Porque muito amor
Também faz mal
Ao coração

Deixa Teu Mal – com Eduardo Gudin



Por mais que a paixão não se afoite
Por mais que minh’alma se amoite
Existe um clarão que é um açoite
Mais forte e maior que a paixão
É o raio da estrela da noite
Cravada no meu coração

Estrela da Terra – com Dori Caymmi



A luz que brotava da amada
No meio da noite parada
Não vinha da lua quieta
Mas da inspiração do poeta
Cabelos de fogo de prata
Que em lágrimas de serenata
Formava um colar de sereno
Caindo no colo moreno
Da flor das estradas

Flor das Estradas – com Dori Caymmi



Ah! o amor muda tanto
Parece que o encanto
O cotidiano desfaz
Feito um verso jogado num canto
De um velho piano
Que não toca mais

Ah! é o amor, barco tonto
Num vasto oceano
De riso e de pranto
De gozo e de dano
E como é mundano
Não pára no cais
E quando quer paz
É tarde demais

Velho Piano – com Dori Caymmi



Vai porque a tua missão é de paz
Ser poeta é difícil demais
Pra que querer que um coração normal
Um dia vá te compreender

E se couber explicação real
É que o poeta é o coração geral
Por isso fique aqui, onde o teu samba está
Que toda a cidade quer cantar

Recado ao Poeta – com Eduardo Gudin



Chorei
Tanta mágoa naquela hora
Que a tristeza foi indo embora
Antes da derradeira lágrima rolar

Chorei
Porque eu vinha trazendo minh’alma sentida
Eu chorei pela última vez nessa vida
Para nunca mais chorar

Chorei – com Eduardo Gudin



Mas é por isso que o mundo jamais foi perfeito
Não há quem no peito consiga conter a explosão do amor

Contradição – com Elton Medeiros



E a noite reduz a carvão as ilusões
Que o dia alimentou
Nos corações cruéis, nos sentimentos bons
E faz da vida a lenha escassa
E faz do tempo apenas a fumaça
Faz da paixão cinzas sombrias
Depois inventa o dia por solução

Por isso é que meu corpo e que o meu coração
São urnas frias, não guardam nada não
Meus sonhos deixaram-me as mãos vazias

Mãos Vazias – com Eduardo Gudin



O homem é sempre só
O fim é sempre o pó
Ninguém foge do nó
Que um dia a vida faz

Por isso chora em paz
Que a lágrima que cai
É a ponte entre mais nada
E outra vida mais

A Ponte – com Elton Medeiros



Nas atormentadas horas de poesia
São frases imortais, é triste melodia
São rasgos de agonia, são lágrimas fatais
E eu chorando vou passando para nunca mais

Valsa Maldita – com Guinga



Ó, bem amada
Divina luz raiada
Acorda os sons da passarada
Que a natureza desespera
Porque a beleza é uma quimera
E junto a ti e à primavera é nada

Pelo fulgor que tu desprendes na amplidão
Pelo perfume que tu deixas pelo chão
E com minh’alma me queimando de paixão
Te entregarei meu coração

Noturna – com Guinga



Não, ninguém faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração

Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
Que acende a mente e o coração

Poder da Criação – com João Nogueira



Força nenhuma cala
A voz da multidão

E lá vai minha voz
Espalhando então
O meu samba guerreiro
Fiel mensageiro
Da população

E Lá Vou Eu (Mensageiro) – com João Nogueira



Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar

Espelho – com João Nogueira



Os homens vão se rebelar
Dessa farsa descomunal
Vai voltar tudo ao seu lugar
Afinal

Vai resplandecer
Uma chuva de prata do céu vai descer
O esplendor da mata vai renascer
E o ar de novo vai ser natural

Vai florir
Cada grande cidade o mato vai cobrir
Das ruínas um novo povo vai surgir
E vai cantar afinal

As pragas e as ervas daninhas
As armas e os homens de mal
Vão desaparecer nas cinzas de um carnaval

As Forças da Natureza – com João Nogueira



Você numa noite me olhou
Com olhos de fundo do mar
Seu ventre de ilha virou
Meu naufrágio
O leme do barco quebrou
Batido pelos temporais
Meu coração marinheiro enganchou
Nas algas, sargaços, corais

Os destinos no mar são cruéis
Fiquei como os velhos navais
Não consigo mais pôr os pés
No cais

Coração Marinheiro – com Márcio Proença



Salve os poetas, salve os bons compositores
Que não puderam realizar sua vontade
Salve os humildes artesãos, trabalhadores
Salve os que guardam consigo sua vã felicidade

Salve o talento de anônimos autores
Que não puderam demonstrar sua vaidade
Salve os artistas esquecidos, sonhadores
Que escreveram pelas ruas a história da cidade

Resgate – com Mauro Duarte



Por causa dela
Da moça da cor de canela
Que era a mais bela
Sou compositor

Carioca da Gema – com Mauro Duarte



Ilusão
Eu sempre fui cativo da paixão
Por isso é que hoje eu vivo em solidão

Já que eu nunca fui um companheiro da ilusão
Eu não merecia estar sozinho
Mas é sempre assim com o grande amor
Quem não souber colher a flor
Vai se dilacerar no espinho

Samba da Ilusão



Vale a pena abrir de novo as cortinas
Prá minh’alma debruçar nas janelas
E outra vez olhar a luz do sol
E sentir o cheiro bom do mar
Respirar bem fundo o ar das manhãs

Vale a Pena – com Sueli Costa



Eu quero ter a sensação das cordilheiras
Desabando sobre as flores inocentes e rasteiras
Eu quero ver a procissão dos suicidas
Caminhando para a morte pelo bem de nossas vidas

Eu quero apenas ser cruel naturalmente
E descobrir onde o mal nasce e destruir sua semente

Eu quero ter a sensação das cordilheiras
Desabando sobre as flores inocentes e rasteiras
Eu quero ser da legião dos grandes mitos
Transformando a juventude num exército de aflitos

Cordilheira – com Sueli Costa



Queria prestar uma homenagem a Paulo César Pinheiro, um dos maiores poetas brasileiros, compositor de primeira e nosso mais prolífico letrista. Poeta da solidão, arauto do samba e da morte, paladino da paixão eterna e do amor desencontrado. Último filho de Vinícius e Nelson Cavaquinho, pequeno perante Deus mas parceiro de quase todos os grandes nomes da Música Brasileira. Saravá!
(Estou escrevendo um texto sobre o poeta Paulo César Pinheiro, que será colocado em breve nesta página, em substituição a estes excertos de sua obra musicada. Espero que estas citações não sejam entendidas como violação das leis dos direitos autorais, mas sim como uma homenagem a Paulinho Pinheiro e aos parceiros que colecionou em mais de trinta anos de poesia)


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