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Paula do Salgueiro |
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Paula do Salgueiro (1918-2001)
"Paula do Salgueiro não é destaque apenas de sua escola. Ela é mais do que isso, porque simboliza o car-naval e em sentido mais largo o próprio espírito do povo carioca. Com a sua alegria vestida de rendas, com a sua pele feita de noite, a famosa passista não precisa vencer para ser ela própria, uma vitória do morro humilde que fabrica o samba, e um momento de glória para a sua raça. Ninguém precisa saber quanto custou a sua requintada fantasia, ou o muito suor que exigiu a maestria de seus passos. Paula e o Salgueiro, o samba e o Rio, unidos num ritmo de cor e de som, alma aberta à alegria, corpo-oferenda ao amor".
(Publicado na Revista Manchete nº 1092 - 27/03/1973)
Paula da Silva Campos ou Paula do Salgueiro, era da época em que as escolas de samba traziam da própria quadra, dentro da corda (única e respeitada barreira entre a agremiação em desfile e a platéia em plena rua), sua maior atração feminina, a passista. Paula talvez tenha sido a maior das passistas; certamente foi a mais famosa. Começou a encantar o público numa pequena escola de Niterói, a Combinado do Amor, nos anos 40. No início da década seguinte, assistia, sambando, a uma exibição do Salgueiro na Praça Saenz Peña. Um diretor puxou-a para o interior da escola, que a partir dali ela iria engrandecer. Fluminense de Cantagalo, Paula era até então empregada doméstica.
No Salgueiro, impôs-se pelos passos - o passista dança sem nunca afastar os pés do chão, esclareceu uma vez - e pelo porte: logo iniciaria uma carreira paralela, de 30 anos, de modelo nos estúdios da Escola Nacional de Belas-Artes. Foi também bailarina dos conjuntos folclóricos de Mercedes Batista e do poeta Solano Trindade, e do grupo Brasiliana. Com este último viajou Por muitos países: Alemanha, França, Portugal e Suíça. Durante cerca de três décadas, Paula foi uma das maiores atrações do desfile principal do Carnaval, até que o médicos decretaram, devido a uma artrose, o fim de sua carreira. Dois compositores consagrados, Nei Lopes e Dauro do Salgueiro, fizeram no fim dos anos 70, quando o desfile das escolas já ganhava outros rumos, um samba para homenageá-la em vida: "Paula é uma das poucas/ Que ainda nos deixam/ Com água na boca/ No bom miudinho/ No Machucadinho/ No dengo, meu bem".
(Adaptado de artigo do Jornal do Brasil de 09 de Agosto de 2001)
"Antebraço na horizontal, braço na vertical para cima e mãos flutuando. Dedos em movimento como se tocassem fios invisíveis. Os pés em movimentos miúdos, de um lado para o outro. Na cintura e nas cadeiras, acompanhamentos suaves que completam o jogo de cena. Um saltinho para trás à esquiva, o deslocamento para frente de forma desencontrada, como agulha na máquina de costura. Agachava com a fita ou o leque na mão direita. Após uma sucessão de sapateado, avança a perna direita com o joelho levemente dobrado e inclinava o corpo para a frente enquanto o pé esquerdo faz o pião"
(Do livro "Dança do samba, exercício do prazer", de José Carlos Rêgo)