Agenda do Samba & Choro

Mano Décio da Viola

Google
Web samba-choro.com.br
 Página principal » Artistas

Décio Antônio Carlos, o Mano Décio da Viola, nasceu em Santo Amaro da Purificação(BA), a 14 de Julho de 1909, mas, com um ano de idade, mudou-se com o pai, o pedreiro Hermógenes Antônio Máximo, para o morro de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.

Aos noves anos de idade saiu de casa e foi morar com Noberto Vieira Marçal, o Manga, de quem passou a ser jornaleiro (Manga era capataz de quarenta jornaleiros, sambista e presidente da Escola de Samba Recreio de
Ramos).

Assim, aos treze anos, a memória do menino Décio já fixava estas cenas:

- Nesse tempo eu acompanhava rodadas de samba no Buraco Quente, no morro da Mangueira. E gostava muito de cinema, ver seriados. Foi no cinema que ouvi uma música que me ficou na cabeça...

Era a valsa "Os Patinadores", de Waldteufel, na qual Mano Décio ingenuamente colocou versos. A composição acabou sendo registrada em nome de Bide (Alcebíades Barcelos) e João de Barro. O nome de Waldteufel foi "distraidamente" omitido.

Quanto a Mano Décio da Viola ficou contentíssimo com aquela nova atuvudade tão rendosa (vender a valsa lhe valeu 20 mil-réis) que a de jornaleiro e que, além do amis, lhe possibilitou ouvir uma composição gravada por Almirante (1934). Da repetição desse varejode direitos autorais viveu de 1934 até o final da década, quando já amigo de Silas de Oliveira, começou a freqüentar a Prazer da Serrinha, uma das escolas de samba mais ricas, em termos musicais, que já existiu. Lá se cultivavam, além das modalidades mais comuns de samba, o jongo e o partido alto.

O ditador Getúlio Vargas, no auge da escalada populista, promovia manifestações de patriotismo, incentivando a produção de canções e sambas ufanistas. No intuito de estender a propaganda oficial ao nível mais popular possível. Getúlio baixou um decreto determinado que todas as sociedades carnavalescas desfilassem apresentando temas ligados a coisas brasileiras.

Forçados mas ao mesmo tempo estimulados pelo decreto presidencial, Silas e Mano Décio resolveram fazer do desfile de 1946 não só uma manifestaçãode diversão, mas também uma maneira de "passar cultura para o povo". A escola se preparou para descer cantando História. O samba "Conferência de São Francisco" ou "A Paz Universal", especialmente composto para a ocasião, trazia as assinaturas de Mano Décio e Silas de Oliveira. Além disso a escola se organizou em alas, cada qual com uma função definida dentro do enredo. A partir daquele ano, as outras escolas aderiram às idéias da Serrinha, moldando-se ao novo estilo carnavalesco por ela constituído.

Na Prazer da Serrinha, no entanto, essas inovações não foram bem recebidas por todos e, das divergências, acabou sendo fundada em 1947, uma nova escola de samba, o Império Serrano, uma das maiores e mais famosas do país. No ano seguinte, Mano Décio juntou-se à nova escola.

E já em 1949 o G.R.E.S. Império Serrano sagrava-se campeão com o samba-enredo "Exaltação a Tiradentes, de Mano Décio, Penteado, e Estasnilau Silva. Primeira composição do gênero a ser gravada, ultrapassou limites estritos das escolas de samba e tornou-se clássico da MPB.

De 1948 a 1951, o Império foi vencedor de carnaval, sendo que nos anos de 1949 a 1951 o samba campeão trazia a assinatura de Silas ou de Mano Décio, ou ainda de ambos. Em 1955 a 1956, mais duas vitórias da dupla e do Império: "Exaltação a Caxias" e "O Sonhador de Esmeraldas".

Cada samba composto por ambos tem uma história, mas "Medalhas e Brasões" (1960) foi, sem dúvida, o que mais problemas causou aos seus autores, Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira. Poucos dias antes do carnaval, a música foi praticamente embargada pelo Departamento de Turismo (a Riotur da época) por causa de pressões exercidas pela Embaixada do Paraguai. A alegação era de que o samba chamava Solano Lopez de ditador e isso não era bom para as relações Brasil-Paraguai. "Não seria um gesto amigável para o povo paraguaio recordar dessa maneira um conflito entre nossos países e que já está praticamente esquecido" – disse o embaixador paraguaio. O diretor do Departamento de Turismo concordou com o diplomata e procurou a direção do Império Serrano para que a letra do samba fosse modificada. Mano Décio da Viola afirmou na época: "Nós não vemos nada demais nas coisas que dizemos no nosso samba. Fomos buscar nas páginas da História do Brasil os fatos e a inspiração. Mas não queremos ofender o povo paraguaio. O que não posso é mudar a história". Mas a letra foi mudada. O mesmo ocorreu posteriormente, em 1969, com "Heróis da Liberdade".

Em 1964, Mano Décio saiu do Império Serrano e foi para a Portela, onde nunca apresentou samba-enredo (para preservar os amigos). Voltou em 1968, perdendo para Silas, a final do samba-enredo. Em 1969, deu-se a última parceria dos dois grandes sambistas: "Hérois da Liberdade", composto num ano em que o samba-enredo passava por transformações. Mano Décio e Silas se opuseram a essa nova postura, responsável pelo empobrecimento do samba-enredo. Mas os tempos eram outros e Mano Décio se afastou da escola.

Distante da avenida, o parceiro prossegue sua trilha, solitário.

Após a morte de Silas de Oliveira, em 1972. Mano Décio continuou compondo, embora desligado da escola de samba. Em 1973, aos 57 anos gravou um disco brinde de Natal de uma metalúrgica paulista a seus clientes. No ano seguinte, registrou, pela Trapecar, um LP que pecava pela produção, de nível amador.

Finalmente em 1976, conseguiu gravar (desta vez pela Phonogram) um LP de excelente nível técnico. "O Lendário Mano Décio da Viola", incluindo seus melhores sambas. Dois anos depois, logo após uma série de espetáculos que fez com o filho Jorginho do Império, no projeto Seis e Meia, Mano Décio gravou "O Imperador". A maioria das músicas desse LP como: "Amor Aventureiro", "No Mundo das Trevas", "É Triste Duvidar", "Assim e a Vida" e "Julgamento Fiel", fora apresentada no Seis e Meia; da outra parte do album constavam músicas dedicadas ao Império Serrano como: "Ser Império como Eu" e "Meu Império Querido", além de Antônio Castro Alves (de Moleque e Comprido) , samba-enredo que deu ao G.R.E.S. Império Serrano sua primeira vitória (1948).

Em 1979, veio à praça o quarto LP de Mano Décio apenas com sambas de terceiro -alguns inéditos, outros já gravados anteriormente.

Em Fevereiro de 1982, já sabendo da vitória do Império Serrano no carnaval, Mano Décio deu entrada no Hospital do INAMPS de Andaraí, com um problema na bexiga. Saiu poucos dias depois e foi para o subúrbio carioca de Tomas Coelho onde continua a compor sambas de rara beleza e muitos enredos. Músicas que dificilmente serão cantadas na avenida por milhares de sambistas vestidos de verde e branco - as cores do Império Serrano que Mano Décio e Silas de Oliveira ajudaram a construir.

Quanto aos samba-enredos, já se tem verificado mais recentemente - pelo menos da parte de alguns compositores - um certo retorno ao modelo estabelecido por Silas e Mano Décio.


Notícias | Casas com música | Artistas | Tribuna Livre | Artigos e debates | Fotos | Partituras | Compras | Amigos do Samba-Choro | Busca


Contato | Privacidade | Sobre este sítio
©Copyright 1996-2017
Samba & Choro Serviços Interativos LTDA
(Todos os direitos reservados).