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Luizinho 7 Cordas

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Um dos maiores violonistas de sete cordas do Brasil, Luiz Araújo Amorim, o Luizinho 7 cordas, nasceu em Marília SP, a 31 de outubro de 1946. Ainda recém nascido mudou-se com seus pais para a cidade de Santos, onde permaneceu até o ano de 1997.
O primeiro contato musical aconteceu através de seu pai Bráulio Araújo, um feirante que tinha como hobby a música. Seu Bráulio, tocador de cavaquinho e violão, tinha um regional com o nome de Estrela de Ouro, e era um seresteiro muito conhecido em Santos.
O Estrela de Ouro ensaiava três vezes por semana na casa de seu Bráulio, sempre observado pelo olhar curioso e deslumbrado do menino Luiz, que só ia dormir ao término do ensaio. Atento ao fascínio do filho pela música , Bráulio começou a ensinar cavaquinho para Luizinho.
Com seis anos de idade, Luiz Amorim já tocava algumas músicas no cavaquinho e tinha uma imensa vontade de aprender violão, pois sempre admirara os duetos realizados pelos violonistas do Estrela de Ouro, Totty e Chiquinho. Devido a insistência do menino, seu Bráulio comprou um violão Di Giorgio para o filho e começou-lhe a ensinar alguns acordes.
Os anos se passaram e o menino chamou a atenção dos violonistas do Estrela de Ouro, devido a habilidade que demonstrava no violão. Totty e Chiquinho aconselharam o amigo Bráulio a matricular Luizinho em um conservatório musical.
Aos doze anos de idade, Luiz Araújo Amorim, ingressou no Conservatório musical Brasil, em Santos, e passou a ter aula em grupo ( com outros garotos de sua idade ) ministrada pelo professor Mário Coutinho. As aulas no conservatório Brasil não eram muito aproveitadas por Luizinho, pois ele já se encontrava em um nível superior aos colegas de classe e não aprendia nada de novo. Então, seu Bráulio tirou o filho do conservatório e contratou o professor Coutinho para lecionar a Luiz na residência dos Amorim. Mário Coutinho não era um músico completo, pois não conhecia muito de teoria musical e não tinha uma técnica rebuscada. Após um ano de aula Luizinho evoluiu tanto que ao invés de aprender, passou a ensinar a Coutinho.
Tanto potencial demonstrado pelo garoto, fez o pai coruja procurar o respeitado professor Carvalinho, que lecionava no Centro de violão José do Patrocínio, onde já havia estudado outros grandes violonistas, como Garoto e Artílio Bernardini. Luizinho passou então a aprender música clássica sobre os cuidados de Carvalinho. Quatro anos de estudo clássico fizeram com que Luiz Araújo desenvolvesse muito sua técnica e seu conhecimento teórico musical.
Mesmo estudando música clássica Luizinho nunca deixou de tocar música popular, que sempre foi a sua paixão. Escutava as canções no rádio e depois ia correndo para o violão. Em algumas dessas músicas, Luiz identificava um som de violão muito grave, porém nunca conseguia reproduzi-lo. Curioso, foi perguntar para o pai como era possível fazer aquele som no violão, e seu Bráulio explicou-lhe que não era um violão de seis cordas que realizava o som grave, e sim um violão de sete cordas.
Certo dia Luizinho foi assistir a um programa de rádio no qual se apresentaria o cantor Maurici Moura, acompanhado pelo seu irmão Maurício Moura, que tocava violão de sete cordas. Luiz ficou deslumbrado com a maneira de tocar de Maurício, e ao final do programa foi pedir para o violonista que o ensinasse aquela técnica. A partir de então Maurício passou a ensinar violão de sete cordas para o filho de seu Bráulio. Luiz Araújo considerava Maurício um mestre, devido sua técnica impressionante e todo seu conhecimento musical.
Com pouco tempo de aula Luiz já dominava o violão de sete cordas, e não demoraria muito para ingressar no regional do Dadinho, um bandolinista famoso em Santos. Neste regional Luizinho começou a se projetar profissionalmente, e passou a ser conhecido como Luizinho 7 cordas.
Na década de setenta o regional do Dadinho começou a ganhar projeção em algumas cidades brasileiras como o Rio de Janeiro e São Paulo, e despertou interesse em alguns artistas. No ano de 1977 , o pianista Arthur Moreira Lima, realizou com o regional, um show no Teatro João Caetano, na cidade do Rio de Janeiro, pelo projeto Seis e Meia.
No mesmo ano de 1977, com 31 anos, Luizinho 7 cordas recebeu convite para acompanhar Arthur Moreira Lima, em um show no festival de choro realizado pela Rede Bandeirantes de Televisão, transmitido para todo Brasil. Luiz arrasou e recebeu o troféu de revelação, entregue pessoalmente pelo mestre Dino 7 cordas. Este prêmio trouxe muito prestígio para Luizinho, e vários artistas o chamaram para trabalhar, dentre eles Déo Rian.
Porém , Luizinho muito apegado a mãe, Dona Antônia Maria Araújo, não quis se mudar de Santos, e continuou a tocar no Regional do Dadinho até o ano de 1980, quando recebeu e aceitou o convite de Evandro do bandolim para fazer parte de seu regional.
No regional do Evandro, Luizinho 7 cordas, continuou morando em Santos, pois a distância até São Paulo ( onde o regional ensaiava e tocava) era relativamente pequena.
Foi com Evandro que Luiz consolidou sua fama de excelente violonista, e permaneceu tocando com ele até 1994, ano do falecimento do bandolinista.
Luizinho 7 estabeleceu com Evandro do bandolim uma relação muito sólida, pois além de se entenderem muito bem musicalmente, se tornaram grandes amigos. A dupla acompanhou diversos artistas famosos, gravaram vários LPs e fizeram muitas viagens, inclusive para o Japão, onde são respeitados até hoje.
Demônios da Garoa, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Ângela Maria, Noite Ilustrada, Carlos Galhardo, Cartola, Martinho da Vila, Alcione, Clara Nunes, Beth Carvalho, Elisete Cardoso, Altemar Dutra, Altamiro Carrilho, Valdir Azevedo, Adoniran Barbosa, Jamelão, Nelson Sargento, João Nogueira, Gonzaguinha, Isaurinha Garcia, Ademilde Fonseca, Carlos Poyares e Peri Ribeiro foram alguns artistas consagrados brasileiros que foram acompanhados maravilhosamente pelo elegante violão de sete cordas de Luizinho.
No ano ano de 1997 Luiz se mudou para a cidade de São Paulo, onde reside atualmente. Continua , acompanhando muitos artistas, além de gravar cds e fazer produções musicais (arranjo e regência). Luizinho também trabalha como professor, dando aula para muitos alunos, e é reverenciado como mestre, pois desenvolveu um método para ensinar o violão de 7 cordas.
Aos 54 anos de idade, Luizinho 7 cordas tem uma legião de fãs, e é considerado por muitos, o melhor violonista de 7 cordas em atividade no Brasil. Recentemente vem incentivando grupos jovens que fazem um resgate da nossa música popular, dentre esses estão o Quinteto em Branco e Preto e o regional Naquele Tempo. Estes dois grupos acabaram de gravar seus primeiros cds, que receberam arranjos feitos por Luiz. Esta interação entre a geração mais “ velha” e a mais “nova” de músicos brasileiros nos trás a esperança de que a boa música brasileira será eterna, assim como o mestre LUIZINHO 7 CORDAS.

Texto: RICARDO VALVERDE


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