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Jovelina Pérola Negra

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Jovelina Farias Delford, nascida em Botafogo, bairro da zona sul do Rio de Janeiro. Quem ouve essa descrição, no mínimo vai imaginar que se trata de mais uma dama da alta sociedade, freqüentadora assídua das pomposas festas e das badalações da tradicional noite carioca. Porém, o erro do apressado analista foi em parte.

Na verdade, Jovelina é uma dama da alta sociedade de nossos pagodes, baiana do Império Serrano, da Ala da Cidade Alta, compositora, versadora e em suas badalações noturnas, ao invés de copos de cristal e inúmeros talheres, delicia-se com uma suculenta sopa de ervilhas e com a geladinha cerveja.

Embora tenha nascido em Botafogo, logo subiu à Baixada Fluminense e baixou poeira em Belford Roxo, lugar onde chega a qualquer hora sem perigo algum.

Verdadeira tiete do partideiro Bezerra da Silva, Jovelina começou a dizer seus pagodinhos no Vegas Sport Clube, em Coelho Neto, levada pelo amigo Dejalmir, que também lançou o nome JOVELINA PÉROLA NEGRA, homenagem à sua cor reluzente.

Mãe de Cassiana, de 11 anos, e Renato, 18, que também já escreve alguma coisa, Jovelina entra de pé direito nos trabalhos musicais, colocando pra fora, num misto de ingenuidade e humildade, o seu potencial vocal e sua ginga, própria dos negros.

("texto de apresentação do ótimo LP "RAÇA BRASILEIRA", de 1985, RGE, onde aparecem pela primeira vez nomes como Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, Pedrinho da Flor, Elaine Machado e Jovelina Pérola Negra").

Pagodes que ela interpreta neste disco:

1.Feirinha da Pavuna (Jovelina)
2.Pomba-Rolou (Adilson Gavião/Carlos do Cachambi)
3.Bagaço da Laranja (Arlindo Cruz/Zeca Pagodinho/Jovelina)

A dama do samba Jovelina Pérola Negra, nascida em 1944, morreu no dia 2 de novembro de 1998, aos 54 anos, no começo da madrugada, de enfarte, enquanto dormia em sua casa no bairro da Pechincha, em Jacarepaguá. Deixou três filhos - José Renato (30), Cassiana (24) e Cleyton (10) -, que teve com Nilton dos Santos, de quem era separada. O enterro foi realizado no Cemitério da Pechincha.

- Entrevista concedida à revista Raça, tempos antes de sua morte -

RAÇA BRASIL - Como foi o primeiro encontro de você com a música?

JOVELINA PÉROLA NEGRA - Na minha família ninguém cantava e eu não achava que tinha uma boa voz. Quem dizia que eu cantava bem não me dava força para tentar uma carreira. Antigamente, era "brabo" para entrar numa gravadora. Quando me separei do meu marido, comecei a cantar na noite por todo o Rio e participava das rodas de samba com o Zeca Pagodinho, na Galeria do Samba.

RAÇA - Quando você se tornou cantora profissional?

JOVELINA - Depois de me apresentar na noite, durante oito anos, fui cantar na televisão, no programa Som Brasil. O Milton Manhães(produtor de nove discos de Jovelina) gostou e me convidou para gravar um disco.

RAÇA - É verdade que a gravadora rejeitou seu primeiro trabalho?

JOVELINA - É. Mas o trabalho não era só meu. Tinha também Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, Elaine Machado e Pedrinho da Flor. Eram 12 músicas num demo vinil, que chamamos de Raça Brasileira. O pessoal da RGE não gostou. Só conseguimos gravar porque um diretor da gravadora, o seu Bruno, decidiu bancar sozinho o disco.

RAÇA - E o que aconteceu?

JOVELINA - O disco estourou de tal maneira que a gravadora entrou em desespero. Com o sucesso, chamou cada um de nós para gravar um disco-solo. O Zeca foi. Eu fiquei com medo do fracasso e não fui. Só gravei um ano depois porque o Dagmar da Fonseca me disse: "Você já assinou contrato, tem que ir, senão paga multa". Tive que ir. Eu vivia na maior dureza num barraco em Belford Roxo e tinha dois filhos pequenos para criar.

RAÇA - Depois de 11 discos, como é sua relação com as gravadoras?

JOVELINA - Não dou confiança pra gravadora. Eles têm que vender. Eu tenho que cantar. É só!

RAÇA - Você continua desfilando na Império Serrano?

JOVELINA - Gosto da escola, mas não desfilo mais. Faço muitos shows por todo o país e não tenho tempo de me preparar para o Carnaval.

RAÇA - O que você acha dessa explosão de novos grupos de samba?

JOVELINA - Todos merecem uma oportunidade. O povo sabe selecionar.Deixa o pessoal ganhar dinheiro. Gosto de todo mundo. Participei de um disco de rap do MC Marcinho. Já batizei 22 grupos de samba. Também gosto do pessoal do funk.

RAÇA - Você já cantou em outros países?

JOVELINA - Já cantei em Angola, na França e no Japão.

RAÇA - Como você vê a questão racial no Brasil?

JOVELINA - Racismo existe. O negro é discriminado. Se você vai a um lugar onde só há brancos, não é visto com bons olhos. Eu sou devagar, não vou a festa em que não sou convidada. No shopping e em qualquer lugar onde aconteça de não ser tratada muitíssimo bem, viro as costas e vou embora.

RAÇA - O sucesso melhorou a sua situação financeira?

JOVELINA - Deu para fazer um pé-de-meia. Já comprei um barraco legal em Jacarepaguá. Mas pretendo ganhar muito mais dinheiro. Quero deixar meus filhos muito bem. Quero que eles tenham o que eu não tive.

DISCOGRAFIA

Raça Brasileira (participação em 3 faixas), 1985
Jovelina Pérola Negra, 1986
Luz do Repente, 1987
Sorriso Aberto, 1988
Amigos Chegados, 1990
Sangue Bom, 1991
Pagodão da Jovelina, 1993
Vou da Fé, 1993
Samba Guerreiro, 1997
As 20 Preferidas de Jovelina Pérola Negra, 1997
* Todos lançados pela gravadora RGE


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