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JOÃO PERNAMBUCO- O POETA DO VIOLÃO



João Teixeira Guimarães nasceu em Jatobá, sertão pernambucano, em 02/11/1883 e faleceu no Rio de Janeiro em16/10/1947.
Com uma muda de roupas, seu violão e muitos sonhos, desembarcou João, aos vinte anos de idade, na então capital da República. Trabalhava como ferreiro em jornadas de até dezesseis horas diárias. O pouco tempo que lhe restava era dedicado ao violão. Para os seus amigos e admiradores, em número sempre crescente, contava e cantava coisas de sua terra, daí o apelido de João Pernambuco.
Já em 1908 era considerado um dos bambas do Choro, ao lado de nomes como Quincas Laranjeiras, Ernani Figueiredo, Zé Cavaquinho e Satiro Bilhar. Paralelamente ao Choro, desenvolvia seu trabalho nas canções regionais através de composições suas e de violeiros e cantadores nordestinos. João Pernambuco também cantava e cantava bem. Nas cordas, além do violão que manejava com maestria e no qual desenvolveu uma técnica peculiar, era hábil na viola. Compôs mais de cem músicas entre choros, valsas, jongos, maxixes, emboladas, toadas, cocos, prelúdios e estudos. Suas composições mais conhecidas são Luar do Sertão(parceria com Catulo da Paixão Cearense) e Sons de Carrilhões.
É a obra deste grande homem, grande em estatura (1,84 m) e em caráter e que traz em seu apelido o compromisso com o seu povo que iremos agora focalizar. Esta obra possui duas vertentes bem distintas: a violonística e a sertaneja.
A Canção Sertaneja foi consolidada a partir da aceitação popular da toada Caboca de Caxangá, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense e da importância que teve a participação de João Pernambuco apresentando canções folclóricas no Ciclo de Conferencias sobre Temas Folclóricos organizado por Afonso Arinos de Mello Franco e realizado em São Paulo em 18/12/1915.
João Pernambuco organizava grupos cujos integrantes usavam trajes típicos e adotavam nomes de famosos cantadores nordestinos como p.ex: Grupo Caxangá, Troupe Sertaneja e Trio Viriato Correia/ Storni/ Pernambuco. Participou também,entre 1919 e 1922, do conjunto Oito Batutas que mais tarde alcançaria fama ao excursionar pela Europa. Antes disto Arnaldo Guinle financiou uma excursão deste conjunto pelo interior dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo e ao Nordeste, com o intuito de recolher material folclórico. A presença de João, já reconhecido como autoridade no assunto, foi de fundamental importância nesta empreitada.
Graças a influencia de João Pernambuco, vieram ao Rio de Janeiro na década de vinte do século passado os conjuntos Turunas Pernambucanos, Turunas da Mauricéia e A Voz do Sertão. Com estes conjuntos vieram músicos maravilhosos que alcançaram grande projeção por aqui, como foi o caso de Luperce Miranda, Augusto Calheiros, Jararaca e Ratinho. O cego Manoel de Lima e Jaime Florence, mais conhecido como Meira. O sucesso destes grupos acabou por influenciar grupos formados no Rio como o Bando dos Tangarás(Integrado por Noel Rosa, Almirante e João de Barro dentre outros), e em São Paulo principalmente, onde a partir de 1927 viveu a canção sertaneja o seu apogeu, que duraria até 1935. Surgiram então os Turunas Paulistas, os Batutas Paulistas, o Conjunto Verde-Amarelo, os Chorões Sertanejos, a Orquestra Colbaz e o Sexteto Bertorino Alma.
Os interpretes mais representativos desta fase foram Paraguassú, Raul Torres, Jaime Redondo, Januário de Oliveira, Stefana de Macedo e Elsie Houston-Péret.
Integrava estes grupos uma geração de músicos do mais alto nível como Gaó, Alberto Marino, Atílio Granny, Zezinho do Banjo(que seria conhecido depois como Zé Carioca), Jonas Aragão, José Sampaio, Aymoré, Nestor Amaral e Garoto.
Como retribuição àquele que tanto fez pela divulgação desta música, foi justamente em São Paulo que João Pernambuco gravou a parte mais expressiva(em qualidade e em quantidade) de sua obra em ambas vertentes. Nestas gravações foi acompanhado com extrema competência por Zezinho(Zé Carioca) e teve em Stefana de Macedo uma graciosa intérprete de suas músicas.
A santíssima trindade dos precursores do violão brasileiro é constituída por Quincas Laranjeiras, João Pernambuco e Levino Albano da Conceição e a obra violonística de João era de tal densidade e profundidade que a ela assim Villa-Lobos se manifestou: “...Bach não se envergonharia em assinar os estudos de João Pernambuco como sendo seus...”. O renomado musicólogo Mozart de Araújo não fez por menos: “João Pernambuco está para o violão assim como Ernesto Nazareth está para o Piano”. Reza a lenda que o notável Agustín Barrios numa de suas vindas ao Rio de Janeiro emocionou-se ao ver João tocar e dedicou-lhe o seu Choro da Saudade.
A edição em partituras de várias músicas de João Pernambuco,através do esforço do grande violonista Turíbio Santos, acabou por despertar o interesse de muitos violonistas sobre esta obra. Em pouco tempo, estas peças seriam obrigatórias no repertório violonístico. Importantes na divulgação desta obra foram os trabalhos “Caio César interpreta João Pernambuco,vol 1”; “João Pernambuco, o Poeta do Violão” e “Descobrindo João Pernambuco”, estes dois últimos devidos a Leandro Carvalho. Por ocasião do centenário de João, a Funarte produziu um LP com Antonio Adolfo e o Nó em Pingo Dagua, uma biografia “João Pernambuco-Arte de Um Povo” de José de Souza Leal e Artur Luiz Barbosa e um caderno de musicas com arranjos de Maurício Carrilho e Antonio Adolfo.
João Pernambuco possuía muitos amigos, como Quincas, Patrício Teixeira, Rogério Guimarães, Zé Cavaquinho, Levino Albano, Aymoré, Armando Neves, Donga e Pixinguinha, Meira, Luperce Miranda , Almirante, Villa-Lobos,Dilermando Reis, enfim, uma lista interminável! Mas não se deve esquecer a importância que João teve na formação artística de um gênio de nossa música chamado Pixinguinha. Amigos desde 1912, Donga, Pixinguinha(este com quatorze anos) e João moravam numa república na rua do Riachuelo 268. Era de lá que saia nos carnavais o Grupo Caxangá e foi também nesta época que produziram Sabia, Os Três Companheiros e Estou Voltando. Estiveram juntos de 1914 até 1919 no Caxangá e de 1919 até 1922 nos Oito Batutas, que nesta fase era um conjunto predominantemente sertanejo.
De 1928 até 1935 morou João Pernambuco no casarão da Av. Mem de Sá 81, onde funcionava uma republica que abrigava, em sua maioria, a músicos e jogadores de futebol. Lá João organizava animadas e concorridas rodas de choro que contavam com a participação de Donga, Pixinguinha, Patrício Teixeira, Rogério Guimarães e, ocasionalmente, Villa-Lobos.
Foi também neste lugar que João conheceu, por intermédio de seu amigo Levino, um então jovem e promissor violonista chamado Dilermando Reis.
João Pernambuco foi reverenciado por grandes violonistas como Garoto, Baden Powell, Paulinho Nogueira, Rafael Rabello e hoje em dia suas músicas são executadas por violonistas de várias nacionalidades.
Este é João Pernambuco, o Poeta do Violão!


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