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Ivan Milanez

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Texto: Carmen Lucia Evangelho Lopes
clel@rionet.com.br


"Vem, vem ouvir, o Império tocou reunir ...".

Já disseram que Ivan Milanez é "puro sangue da Serrinha". Criado entre Silas de Oliveira, Mano Décio, Dona Ivone Lara, Campolino, Darci do Jongo, Mestre Fuleiro, Tio Hélio e Aniceto, imperiano por herança e tradição, Ivan Milanez não lembra direito quando começou a tocar: "... Na fila prá pegar água, ainda bem pequeno, a gente ficava batucando nas latas de marmelada e quando via tinha perdido o lugar na fila ... Minha avó contava que eu batucava na parede enquanto dormia ... Na escola, na hora da prova de história a gente se lembrava dos sambas enredos e conseguia responder ...".

Filho de Maria da Conceição Milanez, Dona Pretinha, desde pequeno teve a influência de seu pai "Mestre Dinho" (Joaquim José Simplício), segundo diretor de bateria e um dos fundadores do Império, que ensaiava a cuíca enquanto Dona Pretinha, sua mãe, costurava as fantasias da Escola na época de Carnaval.

Ivan só não nasceu na Serrinha porque sua mãe na hora do parto, dia 25 de fevereiro de '46, foi para o Hospital Pró Matre em Santo Cristo. De resto, sua vida foi sempre subindo as pedras irregulares do Morro da Serrinha.

"O samba sempre foi desmerecido. Era considerado coisa de negro ... a gente sempre que podia fazia um pagodinho na casa de alguém ... quando dava e os grandes deixavam, a gente tocava. Do contrário, ficava só escutando e aprendendo ..." E, aprendendo acabou ajudando a criar a "Ala do Sente o Drama" com Careca, Jamelão e Jorginho do Império, que foi a primeira Ala de "passo marcado" nas Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

Profissionalmente, foi Darci do Jongo quem o levou a primeira vez prá fora da Serrinha: "...fomos tocar lá nas boites de Copacabana ... coisa de juventude" conta, como que se justificando.

Seus olhos brilham por detrás dos óculos quando lembra de Roberto Ribeiro prá quem fazia a percussão "... começou com o Grupo Família ... quase todo mundo que tocava ou era da família ou tinha sido criado junto, daí quando foram escolher o nome do conjunto eu sugeri Grupo Família ...." .

Ivan tocou, também, com Zeca Pagodinho. Quem não se lembra de sua participação no "Cada um com o seu cada um"?

Além destes nomes sagrados do nosso samba, Ivan já acompanhou gente do primeiro time. Alguns em shows, outros em gravações: Jorge Aragão, Almir Guineto, Alcione, Dorina, Noite Ilustrada,Ernesto Pires, Marquinhos de Osvaldo Cruz, Tia Surica da Portela, Rosinha de Valença, Beth Carvalho e Wilson Moreira só prá nos deixar com água na boca.

Tem duas músicas suas gravadas: "Sinhá Maria" e "Menina Bonita", feita em homenagem à sua querida Romana " ..Eu te namoro, me namora, vem cá menina bonita, joga as tranças Rapunzel, eu vim aqui te buscar prá construir nosso castelo, no sapé vamos morar ...".

Sempre preocupado em incentivar o que há de bom na nossa música, Ivan ajudou a organizar o "Pagode nos Arcos" que muito contribuiu para o ressurgimento boêmio da "Velha Lapa". Esteve a frente, também, do "Pagode da Joaquim Silva" na Lapa e, em 1995, participou - com Marquinhos de Osvaldo Cruz - da reorganização do "Pagode do Trem" iniciativa que, desde então, comemora, em 2 de dezembro , o "Dia Nacional do Samba".

Quando começa a contar das manhãs saíando de casa prá ir tomar café na casa de Dona Ivone Lara antes de ir para a escola, Ivan com seu sorriso maroto, não nos deixa esquecer: ele reverencia o passado de sua Escola "..Aniceto foi o maior orador das Escolas de Samba ... Silas de Oliveira é meu compositor predileto ..." mas, também, já é reconhecido pelo Império. Desde o final do ano passado, junto com Wilson da Neves, Nilton Campolino (falecido no início deste ano), Aluizio Machado, Zé Luiz , Zizinho, Toninho Fuleiro e Fabricio... Ivan integra a "Velha Guarda Imperiana , que ajudou a reorganizar.

Quando escutamos Ivan tocar, ficamos a nos perguntar se não é pensando nele que Dona Ivone canta: "Qualquer criança bate um pandeiro, toca um cavaquinho acompanha o canto de um passarinho sem errar um compasso ..." . Ivan é fruto da vivência em um dos melhores redutos do samba carioca: "menino de '47 ... Serrinha, Congonha, Tamarineira ... Império Serrano, reizinho de Madureira"

Como portelense, eu reconheço: Tudo bem, Tio Hélio e Dona Ivone: "a melodia, também, mora lá no prazer da Serrinha !

Obs.: Este é um texto inicial sobre o trabalho de Ivan. Será modificado periodicamente


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