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Geraldo Pereira

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O samba sincopado de Geraldo Pereira foi uma 'batida' de ritmos e vivências:
"Apanhe uma dose de calango mineiro tocado pela sanfona se oito baixos de Mané Araújo, dose igual de intuição e dom de nascença e uma mão cheia de sons graves batucados no surdo de uma escola de samba antiga. Deixe isso fermentando na cabeça de um garoto curioso e criador, agitando vez por outra o caldo ao ritmo dos quadris de uma mulata sambando na Unidos da Mangueira. Depois transfira a infusão para o recipiente de um salão de baile e deixe o líquido aquecendo ao fogo dos metais e cordas determinantes, adicionando sempre gotas de suor de pares entrelaçados dançando. Uma dose média de malandragem pode melhorar o gosto. Quando sentir a força criadora fervendo em notas e poesia, adicione umas colheres de infidelidade ou abandono, umas gramas de ciúme ou de suspeição e uns pedaços de 'pau quebrando' firme e forte nos bares da Lapa e Engenho de Dentro. Sirva tudo em bandejas de samba, ao som de um violão capenga, em copos grandes de alegria e observação. Você estará servido um 'bate-bate' de samba sincopado com gosto de Geraldo Pereira!"(pp.138)

Geraldo Theodoro Pereira (1918-1955) é considerado por muitos um dos precursores da bossa-nova. "Cyro de Souza explica que "se quizer continuar pesquisando você vai encontrar a divisão rítmica de João Gilberto, que veio, muitos anos depois, caracterizar a 'bossa-nova', nas síncopes de Geraldo Pereira". Para Cyro "a grande partida foi o samba teleco-teco, que GTP 'encheu de nuances', fazendo uma 'bossa inteiramente nova', cerca de 18 anos antes do surgimento do 'samba de apartamento' da zona sul do Rio." (pp. 141)

E é o próprio João Gilberto quem nos fala: "Eu era ainda do conjunto Garotos da Lua, nem pensava em cantar sozinho, quando um dia ele me convidou para sentar com ele num bar daqueles na rua da Lapa. Enquanto a gente tava tomando umas coisas no bar, passaram uns sujeitos e me estranharam, ficaram olhando da porta. E ele:"Que é que vocês tão olhando? Isso aqui (era eu) é gente minha!" Os caras foram embora. O samba dele era leve e cheio de divisões rítmicas, isso sempre me chamou atenção. Ele não tinha consciência disso, mas foi um inovador na música popular brasileira na década de 1940." (pp. 26)

Há muito o que se dizer acerca de GTP, não apenas sobre sua música, mais ainda, sobre sua personalidade, seus amores e dissabores, sua vida de boêmia recheada de histórias e lendas. Como a sobre sua morte, ligada a figura do também lendário Madame Satã. Segundo o imaginário popular, este teria lhe dado um único soco que poria fim a sua trajetória. Porém, não cabe aqui discorrer sobre estes fatos.

Entre suas músicas uma das mais conhecidas é Falsa baiana. Gravada por vários interpretes ao longo do tempo. Mais há ainda, Sem compromisso, Bolinha de papel, Escurinha, Pisei num despacho, Escurinho, Já tenho outra em seu lugar...

Informações retiradas do livro:
Campos, alice Duarte Silva de et alii. Um certo Geraldo Pereira. Rio dejaneiro, FUNARTE/INM/Divisão de Música Popular, 1983.


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