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Gastão formenti

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GASTÃO FORMENTI, pintor e cantor paulista, mas carioca por adoção, nasceu em Guaratinguetá, SP, em 24/06/1894 e morreu no Rio de Janeiro, RJ, em 28/05/1974, para onde a família se transferira em 1910. Antes, eles residiram na capital paulistana, de 1905 a 1909.

Seu pai, o italiano Cesar Formenti, era pintor, decorador e cantor lírico amador, daí o interesse de Gastão pelas artes da pintura e da música popular, tendo se distingüido em ambas, com grande reconhecimento do público que muito o admirava. Sua pintura de um intenso colorido tropical, no estilo acadêmico, então em voga no país, tinha a temática da paisagem, da marinha e da natureza-morta, e permitiu-lhe ganhar inúmeras premiações nos salões oficiais da época (décadas de 1920 a 1960). Tem obras no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e trabalhos em igrejas(quadros, tetos e paredes) em diversos estados. Ele e o pai exploravam um ateliê de vitrais, com muitas encomendas para residências, igrejas e prédios públicos por todo o país.

Paralelamente à pintura, também participou do início da MPB, quando ela ainda se firmava, pois sua carreira iniciou-se no rádio em 1927, levado que foi pelo escritor e xará Gastão Penalva, apresentando-se pela primeira vez ao microfone da Rádio Sociedade, cantando Ontem ao Luar, de Catulo e Pedro de Alcântara. Choveram telefonemas de entusiasmo pela nova voz ouvida em todos os cantos da cidade (a transmissão era ainda muito deficiente naquela época) e todos queriam saber a quem pertencia aquela bela voz. Logo assinou contrato com a Odeon, passando a gravar os mais famosos compositores, tendo gravado também na Parlophon, o novo selo de uma subsidiária da Odeon.

Desde 1930 ele e Carmen Miranda foram os primeiros a assinar contrato exclusivo com a Rádio Mayrink Veiga e, depois, na Transmissora. Em 1931 fez gravações na Columbia e foi contratado pela Victor, quando lançou inúmeras músicas de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano (De papo pro ar, Zíngara e o fox Beduíno), alcançando grande sucesso. Em 1932 a canção Maringá, de Joubert de Carvalho, estourou e foi cantada por todo o Brasil, dando nome à recém-fundada cidade no Paraná, contando com a presença de Gastão, que foi homenageado. Também desse ano é Na Serra da Mantiqueira, de Ari Kerner, outro de seus sucessos. De Milton Amaral gravou a valsa Folhas ao Vento (1933), atuando na Rádio Clube, numa época em que a cidade contava com apenas cinco emissoras de rádio. Seu prestígio ombreava com os de famosos artistas da época como Vicente Celestino, Francisco Alves, Patrício Teixeira, dentre outros.

Entre 1934 e 1935 gravou músicas de Valdemar Henrique e, mais tarde, em 1937, lançou o seu grande sucesso, a canção Coração por que Soluças, de José Maria de Abreu e Saint-Clair Senna, assinando contrato com a Odeon. Dois anos depois, está na Columbia, onde fez a gravação da valsa Não sei para que Viver, de Saint-Clair Senna. Retorna à Odeon em 1941, mas no ano seguinte resolve dar uma pausa em sua carreira musical, dedicando-se à pintura e à firma de vitrais.

Somente em 1947 volta a gravar novamente e, pela Odeon, intrepreta a valsa Não vale Recordar, de José Conde e Mário Rossi, além da toada-rumba Lua Malvada, de Saint-Clair Senna. Em 1952, pela Victor, fez a regravação de Nhá Maria e de Trovas de Amor, ambas de autoria de Joubert de Carvalho. No ano de 1956, pela gravadora Sinter, regrava as músicas De papo pro ar e Maringá.

Em 1959 seus grandes sucessos pela Victor foram reunidos no Lp intitulado Quadros Musicais (RCA Victor). Desde então, retirou-se em definitivo da vida artística, dedicando-se integralmente à pintura, no bairro de Laranjeiras, onde residia.

Uma curiosidade: a família Formenti foi uma das primeiras moradoras do bairro do Leblon, conforme consta do livro O Antigo Leblon, uma Aldeia Encantada : Crônicas, de Rogério Barbosa Lima (1999).


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