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Fátima Guedes

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Fátima Guedes, cantora e compositora, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 06 de maio de 1958. Criada entre a Zona Norte e o subúrbio carioca, iniciou carreira como cantora em 1973. Porém, é a partir de 1976, quando sua música 'Passional' vence o Festival de Música da Faculdade Hélio Alonso que a menina tímida começa a ser reconhecida também como compositora.

Sua melodia e poesia refinadas chamaram a atenção do escritor José Louzeiro, que a convidou para compôr a trilha sonora de sua peça 'O Dia da Caça'. A música de maior sucesso desta peça seria 'Onze Fitas', que mereceria, mais tarde, gravação antológica de Elis Regina.

Fátima passou, então, a ser requisitada por inúmeras cantoras da MPB. De Wanderléia ('Bicho Medo') a Nana Caymmi ('Chora Brasileira'), passando por Simone ('Condenado'), Leny Andrade ('Absinto'), entre tantas outras.

Participou, em 1980, do Festival da Nova Música Popular Brasileira, com 'Mais uma Boca', que se tornaria um de seus clássicos, pedido em todos os shows. Esta música revela, ainda, uma compositora preocupada com as questões sociais.

Hoje, Fátima Guedes é considerada uma das grandes compositoras de nossa MPB, admirada por nomes como Chico Buarque, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro.

Discografia

Fátima Guedes - 1979
Fátima Guedes - 1980
Lápis de Cor - 1981
Muito Prazer - 1983
Sétima Arte - 1985
Pra bom entendedor - 1996
Muito Intensa - 2000


Letras

Onze Fitas

(Fátima Guedes)

Por engano, vingança ou cortesia
Tava lá morto e posto, um desgarrado
Onze tiros fizeram a avaria
E o morto já tava conformado
Onze tiros e não sei porque tantos
Esses tempos não tão pra ninharia
Não fosse a vez daquele um outro ia
Deus o livre morrer assassinado
Pro seu santo não era um qualquer um
Três dias num terreno abandonado
Ostentando onze fitas de Ogum
Quantas vezes se leu só nesta semana
Essa história contada assim por cima
A verdade não rima
A verdade não rima
A verdade não rima...

.....


Passional

(Fátima Guedes)

Já vai embora...
não diga adeus toda hora.
Diga só um que tente cortar
esse meu ar de sua senhora,
insuportavelmente um ar que te explora.
Não morra de pena de mim.
O que eu sinto
é coisa que passa e não mora.
Seja feliz pela vida.
pra mim é questão de tempo ou bebida.
Pode ser de tempo ou ser de temporal,
daquele que arrasa e que a tudo faz mal...
Depois tudo fica igual.
Esqueça meu pranto
e o meu rosto arrastando
esse amargo terror passional.
Veja meu caro,
nosso amor não foi nada de raro.
Teve um magro final.
O fim de toda trama
que começa na cama
e termina metade carnal.
Já vai embora...
Me deixe sozinha agora.
Que eu quero me despentear e me desesperar
pela casa afora,
sumir no rubor de quem chora,
clamar a explosão do desgosto
e acabar com esse meu ar
de sua senhora.

.....

Flor-de-ir-Embora

(Fátima Guedes)

Flor de ir embora
é uma flor que se alimenta
do que a gente chora
Rompe a terra, decidida,
flor do meu desejo
de correr o mundo afora
Flor de sentimento
amadurecendo, aos poucos,
a minha partida
Quando a flor abrir inteira
muda a minha vida
Esperei o tempo certo
E lá vou eu, e lá vou eu
flor de ir embora, eu vou
E agora esse mundo é meu.

.....

Faca

(Fátima Guedes)

O seu nome é uma faca
me dilacerando
O segredo é uma faca
de dois gumes
Morro de Paixão,
morro de ciúmes
Você vive na estrela
incomunicável
Você fala comigo
e nem me vê
Preciso olhar o céu
pra compreender você
O seu nome é uma faca
lâmina afiada
enterrada no peito até o fim
É melhor morrer de uma vez
Eu estou jogada a seus pés
Tenha dó de mim

.....

Mais uma Boca

(Fátima Guedes)

Quem de vocês se chama João?
Eu vim avisar, a mulher dele deu a luz
sozinha no barracão.
E bem antes que a dona adormecesse
o cansaço do seu menino
pediu que avisasse a um João
que bebe nesse bar,
me disse que aqui toda noite
é que ele se embriaga.
Quem de vocês se chama esse pai
que faz que não me escuta?
É o pai de mais uma boca,
o pai de mais uma boca.
Vai correndo ver como ela está feia,
vai ver como está cansada
e teve o seu filho sozinha sem chorar, porque
a dor maior o futuro é quem vai dar.
A dor maior o futuro é quem vai dar.
E pode tratar de ir subindo o morro
que se ela não teve socorro
quem sabe a sua presença
devolve a dona uma ponta de esperança.
Reze a Deus pelo bem dessa criança
pra que ela não acabe como os outros
pra que ela não acabe como todos
pra que ela não acabe como os meus

.....

Lápis de Cor

(Fátima Guedes)

Com amor, lápis de cor,
Desenhei uma casinha pra gente ir morar,
Com fumaça na chaminé
E o sol a brilhar
No canto da página.
Com amor e lápis de cera
Desenhei uma mangueira com uns passarinhos.
É difícil traçar bichinhos
Sem saber desenhar
Mas eu tentei.
Plantei um jardim caprichado,
Um pouco estilizado, diferente.
Pus uma cerca branquinha embora
Cerca nada tenha a ver com a gente
E foi tanto o meu empenho
Que o tal do desenho estava lindo
Com os pássaros cantando e o sol saindo
Do canto da página

.....

Namorado

(Fátima Guedes)

Me desculpe
se eu não me sentir culpada
Nosso amor não é todo
esse tudo ou nada
Amizade sensual
que encurta a caminhada
O teu corpo é feito um porto,
um copo d'água
me desculpe se eu não me sentir culpada.
Percebi que andei triste demais à toa
do teu lado é que o meu pensamento voa
Qualquer coisa em teu sorriso diz:
vem, não tem pecado,
Vem fazer amor comigo, namorado

.....

Bicho Medo

(Fátima Guedes)

Tira a roupa do vento, ó filha
De madrugada vem chuva
Tira a roupa do vento, ó nega
Põe meu xale de viúva

Mãe, por favor não me mande
No quintal a essa hora
Vai sujar meu linho, ó filha
Tem que ser agora

Tira a roupa do vento...

Eu tenho medo do bicho
Que o meu medo mesmo inventa
E em noite de ventania
Parece que o cão atenta...
É hoje, ai meu Deus do céu
Meu coração se arrebenta

Tira a roupa do vento...

Quando eu me mexo parece
Que tem gente atrás de mim
E essas folhas se roçando
É uma agonia sem fim
Na minha cabeça passa
Um bando de coisa ruim

Eu fico escutando passos
Eu prendo a respiração
Sai pensamento, sai fora
Ai minha mãe, minha mãe
Que isso já, meu Deus, é hora
De assombração estar na cama

Tira a roupa do vento...

.....

Pelo Cansaço

(Fátima Guedes)

Pior que não me querer mais
É não fazer questão
Deixando que eu vá embora
Aos poucos

Deixando que eu desista assim
Sem briga ou discussão
De quem já desistiu de mim
Aos poucos

Você sabe que o amor não é só
Desesperança
O amor não é toda
Essa renúncia
Infelicidade cansa

Então pelo cansaço você consegue
Que eu fique assim tão entregue
E leve o teu desprezo
De lembrança

.....

A Bailarina

(Fátima Guedes)

Gira a bailarina
Na caixa de música
Lívida menina
Rodando, rodando...
Num pequeno círculo
De ouro e de espelho
Escrava do delicado
Mecanismo

Pálida e suave
Em seu bailado frívolo
Quantas vidas passa
Dançando, dançando...
Com a orgulhosa pose
De uma estirpe distante
Finita num infinito
Narcisismo

Roda a bailarina

A sua sina
De tonta
Guardiã de jóias e segredos
De família
Com a roupinha de balé
Com a sapatilha
Relíquia de passar
De mãe pra filha

Ela se persegue
Em seu passeio lúdico
Presa na caixinha
Girando, girando, girando...

.....

Eu

(Fátima Guedes)

Eu sou uma voz, eu sou uma figura
Sou o meu sonho de o ver realizado
Hoje eu descobri o mais incrível
Sou quase inacessível
Estou tão longe dessa estrela...

E um dia tem muitas horas
Muitas horas, muitas horas...
Viver é esbarrar com elas e senti-las
No quarto, no espelho, no colchão
A minha solidão
Não deixa que elas me toquem

Estrela não tem luz própria
Quase ninguém sabe disso
Eu sinto muita saudade
Do brilho dos meus amigos
Sinto falta de você
Seu eu pudesse querer
Queria você comigo

.....


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