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Ernesto Teixeira

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É curioso como algumas pessoas podem ceder parte de suas vidas em prol de um bem maior. Talvez para a maioria isso pareça loucura, pois é difícil entender tanta abnegação. É no começo do ano que as escolas de samba tornam-se foco de atenção da mídia e alguns anônimos passam a estranha condição de artistas.
Em vez de curiosos amontoados nas portas dos camarins, um aglomerado de artistas invade as quadras das agremiações atrás de mais fama. As rainhas de bateria eleitas pela comunidade sentem o reinado ameaçado, vez ou outra, quando uma modelo tenta a vaga.
Ao todo são 20 anos na qualidade de intérprete da escola ‘Gaviões da Fiel’. Uma tarefa nada fácil, assumida por Ernesto Teixeira com a mesma humildade de quando era apenas um integrante da bateria, com seu repenique – instrumento que dá sustentação aos surdos. A vocação para ser puxador de samba começou nas cantorias feitas na quadra. Com a cantora lírica Graça Carbonaro aprimorou seu talento e chegou a freqüentar a Universidade Livre de Música.
Assim como Jamelão, um ícone do carnaval carioca e brasileiro – Ernesto jamais considerou a possibilidade de ser remunerado pela escola. Nem tão pouco passa por sua cabeça compor samba para outras escolas ou sair à frente de uma concorrente. Chega a afirmar que “se não for desfilar pela Gaviões não cantará mais”.
No tempo em que precisou colocar a mão na massa, ajudou a confeccionar bandeiras e fantasias, organizou desfiles, buscou patrocínios e parcerias. Quando chegou o momento de determinar o futuro da Gaviões - que começou como ala da Vai-Vai, depois tornou-se bloco e em treze disputas, ganhou 12 -, Ernesto foi determinante na decisão de transformá-la em escola de samba.
De pequena, virou a zebra da avenida. Passou a assustar as tradicionais concorrentes, como a Nenê de Vila Matilde, Camisa Verde e Branco, Rosas de Ouro e até a Vai-Vai. Abocanhou quatro títulos em pouco mais de dez anos na condição de Escola do Grupo especial, sempre levada pelos acordes de Ernesto. Uma voz ímpar, cujo timbre chega a levantar das arquibancadas os mais tímidos. Ainda assim, o sambista e compositor passa a maior parte do tempo longe das rádios e dos programas de auditório. História que só muda nos meses que antecedem o carnaval.
A dedicação com a Gaviões e o Corinthians são tanta que a maior parte do seu tempo está voltado para desenvolver projetos que resgatam a trajetória do time do coração. Recentemente, idealizou o Comitê de Preservação da Memória Corinthiana, em companhia de jornalistas esportivos, atletas e ex-atletas, empresários e torcedores, que em 2002, foi responsável pela festa do Jubileu de Prata, em homenagem ao Campeonato Paulista de 1977, que pôs fim aos 22 anos de jejum na trajetória de títulos do Corinthians. O evento reuniu os heróis do Corinthians e da Ponte Preta daquele ano, levando cerca de 10 mil pessoas a Fazendinha, arrecadando 10 toneladas de alimentos distribuídos entre cinco entidades assistenciais.
É assim que a história deste apaixonado anônimo pode ser contada. Na verdade, não se trata de mais um anônimo, mais de alguém que faz questão de não aparecer. Um trabalho árduo, que poucos conseguem fazer, afinal, a vaidade é uma armadilha para a maioria.


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