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Edil Pacheco

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DEPOIMENTO DE EDIL PACHECO

A INFÂNCIA

Eu me chamo Edmilson de Jesus Pacheco. Nasci no dia 1º de junho do ano de 1945 na cidade de Maragogipe, última cidade do Recôncavo baiano.
A minha infância foi normal como a de todo garoto de interior daquela época, jogando futebol, soltando pipas e outras traquinagens da idade. A música passou a entrar na minha vida a partir do que eu ouvia no rádio, especialmente Luís Gonzaga, Nelson Gonçalves, Luis Vieira, Jackson do Pandeiro e outros. Tinha também as informações do folclore da redondeza, como o bumba-meu-boi, o samba de roda, especialmente nas festas da padroeira de Maragogipe que tinha uma participação muito grande do povo nessas cantorias. Foi isso aí.

A MÚSICA

A música para mim, até então, era uma coisa espontânea, natural. Comecei a me interessar especialmente por tocar um instrumento, no caso, o violão, que eu não tinha condições de ter um. Certo dia chegou às minhas mãos, através de um companheiro chamado José Messias, apelidado Zé Coco, um velho violão que ele havia ganhado de um rapaz que, parece que estava namorando sua irmã. O pai do José Messias não quis o instrumento em sua casa, resultando daí que esse violão foi parar nas minhas mãos. Estava muito maltratado, por isso eu confiei a um amigo marceneiro, chamado Carlito, que o restaurou completamente.

Foi com esse instrumento, ainda precário, que eu comecei a aprender os primeiros acordes. Lembro-me que minha mãe falava que eu não ia conseguir aprender a tocar. Comecei utilizando um método para violão, e, ainda no interior, eu ficava atento, quando surgia alguém tocando, para observar e melhorar o que eu já sabia. Dessa forma eu aprendi um pouquinho de cada uma dessas pessoas que eu vi tocar. Inicialmente eu utilizava na mão direita apenas dois dedos, o polegar e o indicador, depois, à medida que fui vendo essas pessoas executando o instrumento, fui utilizando os outros dedos. Hoje tenho uma maneira toda pessoal de tocar.

AS PRIMEIRAS COMPOSIÇÕES

Quanto a fazer música, compor; eu, obviamente, comecei cantando o que tocava na época no rádio, porém, quando vim para Salvador e comecei a me envolver com o pessoal que fazia música, tinha como objetivo a diversão e arrumar umas namoradinhas, sem nenhuma pretensão de ser profissional. Foi aí que eu conheci o Batatinha, isso foi lá entre os anos de 1963 e 1964.

Lembro-me bem que, em 1965, ele (Batatinha) ia fazer um show e me convidou para acompanhá-lo ao violão. Durante os ensaios ele me pediu que fizesse alguma coisa e eu terminei fazendo duas canções "Protetor do Samba" e "Experiência Própria", que acabaram entrando nesse show que foi intitulado "Eu Sou, Tu És, Nós Somos: Gente", produzido e dirigido pelo jornalista Vieira Neto, que era um colunista muito importante do jornal A TARDE, aqui de Salvador. Foi nesse espetáculo que fui batizado como compositor.

A partir dessa iniciação, continuei com Batatinha, que me levava para acompanhá-lo, como instrumentista, em diversos lugares, como por exemplo, o programa semanal Improviso, realizado no teatro Vila Velha. Passei desde então a ser requisitado para acompanhar também outros cantores, me enturmando, cada vez mais, nesse mundo da música e do samba que se fazia na Bahia.

Comecei aí, então, a tomar gosto pela composição de canções e, nessa época, fui morar num pensionato na Palma, onde eu era colega de quarto do jornalista Fernando Vita, que trabalhava no Jornal da Bahia. Foi o Vita, que também é meu parceiro - temos uma canção, "O Maquinista", gravada por Luis Vieira - a primeira pessoa que me incentivou a mostrar as minhas canções, pois, inicialmente, eu fazia as minhas músicas, mas não acreditava que servissem para serem gravadas.

Quando em 1969, a cantora Eliana Pittman, esteve em Salvador para participar do filme chamado "Capitães de Areia" (uma produção francesa rodada aqui sobre a obra de Jorge Amado), ela quis conhecer compositores novos; daí, o Vita insistiu tanto que terminou me levando onde ela estava hospedada, no antigo hotel Oxumaré, que ficava na ladeira do São Bento. Chegando lá, eu deixei com a Eliana duas canções num gravador, as quais ela viria a gravar algum tempo depois. As músicas foram "Fim de Tarde" com Luiz Galvão (dos Novos Baianos) e "Passatempo", parceria minha com Batatinha e o poeta Cid Seixas, aliás, essa última, foi cortada do disco por problemas com a censura, que encontrou conotações políticas na letra, não me lembro de detalhes, mas na época, existia uma repressão muito grande. Foi aí o meu batismo como compositor gravado em disco.

OS PRIMEIROS SUCESSOS

Em 1970, através do compositor e cantor, já falecido, Tião Motorista, conheci o Jair Rodrigues (cantor). O Tião havia me levado para acompanhá-lo em uns sambas que ele iria mostrar ao Jair. Depois de duas ou três horas que o Tião cantou inúmeros sambas seus, o Jair me perguntou se eu não tinha também alguma composição para mostrar. Aí eu cantei "Alô Madrugada" e o Jair terminou gravando esse samba, que foi, inclusive, um grande sucesso, aliás, meu primeiro grande sucesso junto com o parceiro Ederaldo Gentil.

A partir de então não parei mais. Graças a Deus, já gravei mais de 250 canções, passando por essa turma que eu falei como Jair (Rodrigues), (Wilson) Simonal, Luís Vieira e João Nogueira. Logo depois da gravação de "Alô Madrugada, a Gal Costa, em 1972, registrou em sua voz, a nossa, "Estamos Aí", minha e do Paulinho Diniz. O Simonal gravou Tristeza não insista em querer ficar (cantarola a música Tristeza), que é minha e do saudoso Carlos Lacerda, além de um outro samba intitulado "Até o Dia de São Nunca", meu e do Paulinho Diniz, esse samba, inclusive, também seria gravado pela Alcione, em seu primeiro LP.

Bem, foram essas as minhas primeiras gravações, isso lá pelos idos de 1973 a 1974, daí, mais para frente, depois dos cantores citados, vieram a Fafá de Belém ("Sirie"), João Nogueira e a Clara Nunes. Na seqüência, outros intérpretes como, Margareth (Menezes), Luís Caldas, Lazzo, Agepê, Baby Consuelo (agora do Brasil), Elimar Santos, Alcione, Luís Melodia, Beth Carvalho, Moraes Moreira, Gilberto Gil, Elza Soares e o Trio Elétrico Dodô e Osmar, me honraram gravando minhas composições. Eu fiz uma relação outro dia, rapaz, e encontrei 57 artistas que já registraram minhas músicas, por isso, nesse aspecto, eu não posso me queixar.

A ESTRÉIA CANTANDO EM DISCO

Eu, pessoalmente, gravei pela primeira vez como cantor, participando de um compacto duplo, Gravadora Polygram, 1972, que trazia cinco canções da peça de Jorge Amado "A Morte de Quincas Berro D'Água". Dessas cinco composições da peça, uma era minha, "Ensinança" c/ João Augusto, e as demais de outros autores como o Dorival Caymmi, Gereba e Fernando Lona. Esta, então, foi a primeira vez que cantei em disco, porém não me lembro bem em que ano foi isso.

Agora, meu primeiro disco solo mesmo, aconteceu em 1977, foi um LP, pela Polygram, cujo título era "Pedras Afiadas". Depois, em 1984, gravei outro (LP) chamado "Estamos Aí", também pela gravadora Polygram. Em 1988, em parceria com Paulinho (César) Pinheiro, registrei um novo trabalho em disco, intitulado "Afros e Afoxés da Bahia", onde a gente abordava sobre os blocos afros e afoxés da Bahia, esse disco, inclusive, nos deu prêmios e tudo. A propósito disto, quatro das canções do "Afros e Afoxés da Bahia", foram regravadas agora, uma pelo Gil (Gilberto) e três pela Virgínia Rodrigues. Já mais recentemente, na era do CD, eu gravei o "Dom de Passarinho", que é o meu último trabalho foi gravado pela VELAS em 1996.
Estou agora a meio caminho andado de um outro CD, "O Samba me Pegou", que é um projeto que eu estou fazendo, somente com sambas, e que deverá estar pronto até o final do ano.

A INFLUÊNCIA NORDESTINA

Quanto às minhas incursões pelos ritmos nordestinos, acontece que, quando eu era menino em Maragogipe, fiquei bem doente, com alguma coisa que ninguém sabia bem o que era. Levei uma semana inteira assim, o pessoal me dava remédio para tudo e eu não melhorava. Daí me trouxeram para Salvador, com o fim de fazer um exame para identificar o problema. Logo que cheguei, fiz imediatamente esse exame, e foi então identificado que eu tinha um tumor interno.
Naquela mesma hora fui operado, e, segundo o médico, caso demorassem mais duas ou três horas, eu não teria mais chances de vida.

Logo depois desse fato, no período de convalescença e tratamento, eu fiquei hospedado na casa de uns parentes meus, que moravam no Largo de Amaralina. Lembro-me bem, que eu ia lá para cima da laje (terraço), e ficava ouvindo um serviço de alto-falantes do bairro que tocava Luiz Gonzaga, pra caramba. Eu também gostava de olhar o pessoal do quartel do Exército em Amaralina jogar bola, ou então, ficava por lá brincando de soltar pipa (papagaio). Tudo isto, sempre tendo como fundo musical, Luiz Gonzaga, Luís Vieira, Jackson do Pandeiro e tantos outros cantores de sucesso da época.

Quando eu ainda estava no interior, em Maragogipe, não havia rádio em minha casa, porém, todos os sábados, eu ouvia na casa de um senhor chamado Teotônio, um enfermeiro bastante conhecido na cidade, que tinha um rádio, o programa do Luís Vieira, na Rádio Nacional, onde se apresentavam artistas como Luiz Gonzaga e Carmélia Alves. Então, essa coisa do forró sempre esteve comigo, e apesar de ser assim, com muito orgulho, um sambista da Bahia, eu também faço essas investidas por outros caminhos como, no caso, o forró. Eu acho que, quem sabe fazer um samba, digamos assim, bem postado, bem... um samba direito, pode fazer outras coisas.

OS TEMAS DE INSPIRAÇÃO AFRO

No caso das minhas ligações com temas de inspiração afro, na verdade, vem de há muito tempo, embora, no início da minha vida, quando a minha mãe me levava, às vezes, nas festas de Candomblé, eu tivesse medo. Depois comecei a conviver mais, a gostar e a admirar muito o culto, sendo que hoje sou mais admirador do Candomblé do que do próprio Catolicismo, não tenho nada contra. Então, passei a me interessar mais pelo tema, e em 1977, eu fiz uma música, "Os olhos de Nana", que já era um ijexá, gravada pelo Jair Rodrigues nesse mesmo ano (Nota: Nesse disco do Jair Rodrigues, "Estou com o Samba e não Abro", Philips 6349 342, essa canção está na contra-capa creditada corretamente a Edil Pacheco e Eustáquio de Oliveira, porem no selo do disco, constam, equivocadamente, como autores Ederaldo Gentil e Eustáquio de Oliveira).

Naquela época eu não sabia, até então, que ijexá era um ritmo, pois todo mundo falava do ijexá como se fosse um afoxé, e o afoxé não é um gênero musical. Afoxés são entidades que cultuam o ijexá, porem essa coisa eu só viria a saber tempos depois. Por exemplo, quando eu estava pensando em fazer o disco "Estamos Aí", me deu a idéia de compor um "afoxé", pois até então eu não sabia o que era um afoxé. Por isso fui ler alguma coisa, e descobri que os afoxés são as entidades, e o ritmo do qual se dizia ser afoxé era, na verdade, o ijexá. Deste modo, eu fiz uma pesquisa e compus a primeira canção, "Ijexá", já totalmente dentro dessa temática. Isto se deu por volta de 1981 a 1982, eu gravei a canção em 1981, e a Clara (Nunes) em 1982, sendo que o lançamento dela se deu antes do meu, e graças a Deus, estourou nacionalmente em sua voz.

Fora esses primeiros contatos com o assunto, eu também viajei junto com o Gilberto Gil, o Caribé, Arlete Soares, a turma do Ilê (bloco), e também mãe Stella de Oxóssi, para uma excursão cultural pelo Benin (África), inclusive, fomos fazer o carnaval de lá. (Não me lembro bem o ano, sou ruim de gravar datas). Foi muito proveitosa a viagem, e quando eu voltei, passei a me interessar mais pelo temas afros.

Depois da canção "Ijexá", onde eu falo em alguns nomes de blocos afros de Salvador, surgiu uma cobrança saudável, de componentes de outros blocos, que não foram por mim citados. Eram cobranças do tipo "você não citou a nossa agremiação", etc. Isso ficou em minha mente; acontece que, quando a Clara Nunes veio aqui em Salvador, e que nós saímos juntos na Lavagem do Bonfim (uma das maiores festas da Bahia, depois do Carnaval), a atriz Gesse & Gesse, que era madrinha do Araketu (bloco afro), juntamente com a Vera Lacerda, cobraram a não citação do Araketu na música "Ijexá". No momento, em cima do caminhão onde estávamos, inclusive também com o Paulinho (César) Pinheiro, nos comprometemos a fazer uma música para o Araketu. Logo que isso foi possível, fizemos o tema para o Araketu, depois vieram outros para o Olodum, para o Ilê Ayê e demais blocos. Logo a gravadora Polygram se interessou por esse projeto, o que nos levou a fazer o disco chamado "Afros e Afoxés da Bahia" com base nessas composições.

A partir dessa época eu procuro então, na minha obra, dentro do possível, não utilizar os termos que são das manifestações específicas do culto. No meu trabalho não tem nada de, por exemplo, pegar alguns trechos melódicos, ou mesmo temáticos de expressões utilizadas no candomblé, para colocar em minhas músicas. Isso eu não faço! (enfático) Eu procuro criar dentro de uma outra esfera, valorizando essas coisas, porem sem interferir nisso que eu acho grandioso e misterioso, dentro do candomblé.

O PARCEIRO PAULINHO DINIZ

O meu primeiro parceiro foi o Paulinho Diniz. Na época eu trabalhava na Padaria Moderna, no Largo 2 de Julho, e ele sempre aparecia por lá. Como sabia que eu tocava violão, ele me mostrou duas letras, que eu terminei musicando, uma delas se chamava "Lua Cheia e Armação", bem no estilo do Chico Buarque, que estava na moda, na época. Terminamos fazendo uma série de outras músicas como "Siriê", com a qual ganhamos o Festival de Sambas do Rio de Janeiro de 1976, e que seria depois gravada por Fafá de Belém. "Estamos Aí" foi uma outra composição dessa safra. A Alcione gravou da nossa autoria "Lua Menina" (cantarola: "Diana menina me leva / Me ensina esse teu cintilar"). Ainda com o Paulinho, fizemos muita coisa, uma série de canções bonitas. Enfim, comecei fazendo músicas com as pessoas que estavam mais perto de mim, porém, mais tarde eu ampliaria essa relação dos meus parceiros.

No início eu fazia apenas a melodia, hoje já me arvoro em fazer algumas letras, às vezes já dou letra e música da primeira parte para o parceiro. Agora mesmo estou fazendo um samba com o João Bosco, uma idéia que surgiu quando ele esteve aqui em Salvador na festa do Dia do Samba. Ele ficou tão empolgado com o clima que propôs que fizéssemos uma música para aquele momento. Dias depois eu fiz essa primeira parte (pega o violão e canta: "Eu vou pro samba no Terreiro de Jesus / Beber a luz / Rever os bambas...."), que estou enviando para o João Bosco concluir fazendo uma segunda parte desse samba.

A FESTA DO DIA DO SAMBA

Em relação ao Dia do Samba, eu comecei a participar desde o ano de 1972, quando ainda era uma festa chamada "A Noite do Samba e Dendê". Nesse ano, inclusive, houve a participação do Gilberto Gil, que estava bem magrinho, e que voltava do exílio londrino. Essa festa se repetiu até o ano de 1986, quando, então, deixou de ser comemorada. No ano seguinte, em 1987, eu, juntamente com Ederaldo (Gentil) e Batatinha, reivindicamos junto ao governo do estado, a continuidade da apresentação dessa importante festa do samba para o estado da Bahia. O Gilberto Gil, que na época era presidente da Fundação Gregório de Matos, nos ajudou muito na viabilização dos recursos para o projeto. De lá para cá, temos comemorado, ininterruptamente, o Dia do Samba na Bahia.

Já trouxemos para essa festa artistas como Chico Buarque, Caetano (Veloso), Martinho da Vila, João Nogueira, Moraes Moreira, João Bosco, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Elza Soares, Luis Melodia, Antonio Carlos e Jocáfi, Leci Brandão, Jair Rodrigues, D. Ivone de Lara; praticamente, todo o pessoal do mundo do samba, além dos sambistas ligados ao samba e que permanecem em atuação na Bahia.

O Dia do Samba é comemorado sempre no dia 2 de dezembro. As pessoas pensam que essa data foi escolhida por ser o aniversário do compositor mineiro, o nosso grandioso Ary Barroso. Na verdade, isto se deu por um projeto de um vereador aqui de Salvador, chamado Luis Monteiro da Costa, em homenagem à data em que o Ary (Barroso) veio a Salvador para ser homenageado no Largo de São Miguel, com uma placa, pois ele tinha feito a música "Na Baixa dos Sapateiros", segundo informações, sem conhecer a cidade.

O TRIO ELÉTRICO DO SAMBA

No tocante ao projeto do trio elétrico do samba, este já vem sendo desenvolvido há algum tempo, porem, ainda não deu para fazer como eu quero. No ano passado tentei implementar, mas como eu estava saindo em parceria com Paulinho Boca (de Cantor), achei difícil viabilizar uma banda que fizesse o estilo que eu tinha em mente.

Esse ano (2000) eu saí sozinho, montei uma banda específica, com dois violões, um cavaquinho, flauta e piano; enfim, fizemos um carnaval que eu achei muito embasado e senti que houve uma reciprocidade boa do público. Acho que a Bahia está precisando disso e eu estou investindo nessa idéia.

Espero, muito em breve, no carnaval de 2001, ter um trio de samba, não somente para sair com o Edil Pacheco e convidados tocando samba, porem, nesse mesmo trio, existir o suporte para blocos como, por exemplo, o "Alerta Geral", de Nelson Rufino, sair na quinta feira, às ruas, com dignidade. Esse projeto também deverá servir para o Waltinho Queiroz mostrar o seu trabalho, junto aos associados de seu bloco, o "Chegando Bonito".

Em suma, a idéia é essa, resgatar o carnaval para que a gente fique com a semente de um espaço alternativo, e que as novas gerações conheçam um outro lado da música que se faz na Bahia. Talvez isso tenha também uma função pedagógica para o carnaval, eu acho que, a essa altura, já posso ensinar alguma coisa. Nesse projeto não queremos esquecer ninguém, como Roberto Mendes, por exemplo, com a questão das "chulas" e o samba de roda de Santo Amaro da Purificação.

AS FESTAS JUNINAS E OS NOVOS PROJETOS

Quanto às festas de S. João, eu, esse ano, por absoluta falta de tempo, não pude participar. No tocante à música de forró, como eu comecei há alguns anos com a canção "Forró em Cachoeira" (gravada pelo Paulinho Boca de Cantor), ainda tenho uma idéia de realizar um projeto somente de músicas nordestinas, especialmente o forró. Depois do trabalho que o Gilberto Gil fez nesse sentido, senti reacender em mim esse desejo que guardo há tempos.

Acho que o público está carente desse tipo de música que fazemos, e estamos trabalhando bastante para mostrar esse trabalho. Agora mesmo estou com um projeto chamado "O Samba Nasceu na Bahia", que redundará num show e um CD, baseados no espetáculo homônimo que eu, Ederaldo Gentil e Batatinha, fizemos na década de 70, no teatro do Senac (Pelourinho) e que teve uma boa repercussão.

Estou também finalizando o meu novo disco individual, intitulado "O Samba Me Pegou", que deverá estar na praça agora nesse segundo semestre. (Nota do entrevistador - Sobre esse trabalho, o livreto do projeto traz a seguinte informação: "Nesse CD, O Samba da Bahia, traduzido em canções inéditas de Edil, será mostrado em suas diversas vertentes desde o samba de roda do recôncavo até o samba rasgado, passando pelo samba canção de harmonias sofisticadas).

Uma outra empreitada nossa é que, estamos em andamento com um CD duplo que terá o título "100 Anos de Música Baiana - Do Lundu ao Axé", trabalho de produção e pesquisa, em parceria com o Paulinho Boca de Cantor, que deverá também estar no mercado nessa segunda metade do ano. Esse CD contará a história musical do nosso estado, começando com o cantor do séc. XIX, Xisto Bahia, passando por Dorival Caymmi, Assis Valente, Gordurinha, Batatinha, Caetano Veloso até a Timbalada de Carlinhos Brown. O disco terá a participação de quase todos os artistas baianos, que estão em atividade, e que se afinaram com esse projeto. (Nota do entrevistador: Esse disco foi lançado no dia 14 de novembro de 2000, inicialmente em edição brinde do grupo patrocinador do projeto)

NELSON RUFINO

Os meus parceiros são todos muito especiais (aqueles que eu não destaquei aqui, peço perdão, foi apenas pela dificuldade de se falar com detalhes de todos). Entretanto eu gostaria de homenagear a figura de Nelson Rufino. Eu o conheci logo no início quando comecei a caminhar com o Batatinha. A afinidade foi natural, fizemos muitos trabalhos juntos, shows etc. Estamos com algumas músicas novas e inéditas. Para mim ele é um dos mais importantes compositores do samba, um dos mais genuínos que a Bahia tem. Já fizemos muito sucesso juntos como compositores em canções, como por exemplo, Luandê com Alcione, que saiu no primeiro disco dela. Outro sucesso nosso é A Lã e o Carneiro, gravado pelo nosso amigo Walmir Lima em seu disco LP de 1981 pela gravadora K-TELL. No meu primeiro disco solo há uma composição nossa, Pranto Natural.
Muita gente canta sambas de Nelson Rufino e nem sabe que é dele. Agora com o seu CD A Verdade de Nelson Rufino, finalmente ele começa a ser mais conhecido do grande público, visto que no mundo do samba ele já é um ídolo há longas datas.
No carnaval ele tem um histórico, começou há alguns anos, com o bloco Alerta Mocidade, hoje transformado no Alerta Geral, que continua saindo as quintas-feiras do carnaval com muito sucesso


Depoimento concedido a
Lourival Augusto
Salvador-Ba, 30/05/2000.
Atualizado em 16/02/2001


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