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David do Pandeiro

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Visitas às “tias” baianas na Rua de Sant’anna, junto com o pai; missas, com a mãe, onde se cantava as ladainhas; visitas à casa do seu tio Juvenal e sua tia neném, em madureira, freqüentada, entre outros, por Donga e Pixinguinha, e a participação na adolescência, às escondidas da mãe, nas rodas de batucada. Esta trajetória fez de David de Araújo, o David do Pandeiro, um músico tão versátil. Samba, coco, embolada, martelo, samba-de-roda, batuque, samba-sincopado, jongo, catimbó... suas composições podem passear por muitos dos inúmeros ritmos brasileiros.
Começou sua vida musical cantando em programa de calouros na Rádio Mayrink Veiga. Trabalhou como ritmista profissional em gravadoras e participando em conjuntos de “samba-show”. Entre 1948 e 1950 participou do conjunto do Herivelto Martins. Mas o que de fato o projetou foram as escolas de samba, onde atuou como pandeirista-malabarista e compositor.
Sua vida nas escolas de samba começou na Paz e Amor, de Bento Ribeiro, como Pandeirista-show e, depois como compositor. Quando a Paz e Amor acabou, foi para a Acadêmicos de Bento Ribeiro, onde formou dupla com Dimas do Pandeiro (seu aluno). Por volta de 1954, a dupla mudou-se para a União de Jacarepaguá, e para a Mangueira, aproximadamente em 1957 onde formaram trio com Humberto. Em 1961, foi para o Império Serrano, como pandeirista-show e como compositor.
Na Império Serrano disputou e ganhou o samba-enredo dois anos seguidos: Rio dos Vice-Reis, em 1961, com Aidno Sá e Mano Décio da Viola. Em 1962, com Aidno Sá e Guaraciaba, Rio de ontem e de hoje. Permaneceu no Império até 1963, quando saiu e foi para a Portela, a convite de Natal.
Na Portela, junto Candeia, Casquinha, Picolino, Casemiro, Arlindo e Jorge do Violão, criou o conjunto Mensageiros do Samba, que gravou um LP em 1966, pela Polygram.

Lado 1:
1. Esta melodia (Bubú/José Bispo); 2. Canção da Liberdade (Candeia); 3. Sinhá... Sinhá... (Candeia/Casquinha); 4. Foi ela (Candeia) 5. Mensageiros do samba (Arlindo/Jorge do Violão)
Lado 2:
1. Gota d’água (Candeia); 2. Mulata (Davi/Casquinha); 3. Mudei de opinião (Casquinha/Bubú); 4. Lenços brancos (Picolino); 5. Se eu conseguir (Casquinha/Picolino); 6. Popurri* em Homenagem à Velha Guarda: Com que roupa (Noel); Se você jurar (Ismael/N. Bastos/F. Alves); O orvalho vem caindo (Noel/Kid Pepe); Leva meu samba (Ataulfo); Implorar (Kid Pepe/Germano Augusto/Gaspar)

* Mantive a grafia original do disco.

Em 1973 muda-se para Olaria e para a Imperatriz Leopoldinense, onde cria o conjunto T.B. Samba que, além de participar de inúmeras gravações, grava um LP em 1974. pela Copacabana,

Lado 1:
1. Eu e o Play-boy (Jayme Silva/Luiz Pereira); 2. Tia carola (José Maria da Silva/José Martins Pinto); 3. O mesmo blá blá blá (Cezar Saraiva da Silva/Pedro Malta Rainho); 4. Crime do galinheiro (José Maria da Silva/Luiz Alberto Chavão de Oliveira/Pedro Malta Rainho); 5. Ninguém jantou (Geraldo Barbosa); 6. Nêga do pé de pilão (David/Jorge Muniz Cortez Filho)
Lado 2:
1. Meu belo tema baiano (Cezão/Pedro Rainho); 2. A velha (Oliviel Laves de Oliveira/Darcy Gomes do Nascimento); 3. Aodociaba (Oliviel/Darcy); 4. Cai neblina (David/Angelino Gomes do Rosário); 5. Fim de folia (Jacinto Antônio de Souza Filho); 6. Rei do morro (Aldecy Reis Pereira/David)

Há mais de doze anos, David do Pandeiro está na Velha Guarda da Portela. Participou também da “Casa da Mãe Joana”, uma das pioneiras da atual onda de revigoramento do samba.
Ao longo de sua carreira, teve o prazer de percorrer todo o Brasil, em temporadas musicais, especialmente nos anos 50, em turnê pelo Norte, Nordeste e Sul. Além de apresentações internacionais suas e também da Velha Guarda da Portela. Foram as viagens pelo Brasil que despertaram em Davi a veia de pesquisador da história e dos ritmos da cultura popular brasileira.
O disco Tudo Azul, foi um marco para a Velha Guarda. David só lamenta que o grupo, nesse disco, não pôde contar com o Manacéa nem com o Alberto Lonato e o Osmar do Cavaco, que já tinham falecido. “Eles não tiveram a chance de ver esse disco. Mas lá de onde estão, eles estão vendo”...
Um depoimento de Davi do Pandeiro é um valioso testemunho da história do samba. Suas composições também, por vezes, cumprem esse papel, como é o caso de NO TEMPO DO ZEPPELIN, cuja letra vai como fecho desse texto:

NO TEMPO DO ZEPPELIN
Samba de versos - Autor: Davi do Pandeiro

No tempo do Zeppelin
Em Oswaldo Cruz
O samba raiava assim
Na chácara do Seu Napoleão
Paulo, Caetano e Rufino
Batiam o samba na mão

A Portela foi nascida
Com alegria e muita luz
Do conjunto carnavalesco
Escola de Samba de Oswaldo Cruz

Com as cores azul e branco
Venceu o concurso do Zé Espinguela
Que tem o seu nome escrito
No livro Paulo da Portela

No tempo!

Quem nos faz é o capricho
Heitor dos Prazeres rebatizou
E mudando para vai como pode
No primeiro concurso se consagrou

De tanto mudar de nome
Pra melhor, ficou mais bela
Hoje é Gremio Recreativo
Escola de Samba Portela

No tempo!

Consagrada no passado
Festejada no presente
A Estrada do Portela
Emprestou seu nome à gente

Paulo acendeu a chama
E o bloco de fama nos deu à luz
Assim nasceu a Portela
No bairro de Oswaldo Cruz

No tempo!

Naquele tempo, compadre
O samba era mais divertido
As nossas pastoras sambavam
No terreiro de chão batido

Me contaram que naquele tempo
Não havia malandro cuzcuz
Mas havia valentão de fato
Mané Bambambã lá de Oswaldo Cruz.




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