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Dadinho

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DADINHO


No dia 13 de outubro de 1909, nascia em Santos, à Travessa Ribeiro Conceição, OSWALDO PASQUARELI BARTHOLOTO, o nosso popular “DADINHO”.
O amor que “DADINHO” veio a ter pela música, pode ser definido como uma herança de família: sua mãe, era uma excelente violonista, e seis dos 10 (dez) filhos que teve, entre eles “DADINHO”, se voltaram para a música.
Um detalhe: na história dos apelidos, geralmente, as pessoas são apelidadas por outras.
Como teria sido o de “DADINHO”?
Podemos afirmar que é um caso “sui-generis”: ele mesmo se apelidou!
Dona Carmela, sua mãe, tinha o hábito de guardar tudo aquilo que estivesse destinado ao “DADINHO”, e costumava dizer: “Isto é para o Oswaldinho; ou então, -” Dá para o Oswaldinho”.
Ele, por sua vez, que não sabia pronunciar ainda o nome de Oswaldinho, repetia —“Dá para o DADINHO “. E assim, ficou até hoje.
O Cavaquinho foi o primeiro instrumento que aprendeu a tocar, aos 9 anos de idade. Nunca ninguém lhe ensinou, apenas observava a posição dos dedos, ouvia a música e sozinho procurava reproduzir o mesmo som naquele instrumento.
Todos nós sabemos que o cavaquinho desfruta de grande popularidade como instrumento de acompanhamento e solo. Foi introduzido no Brasil, pelos portugueses, e, lá em Portugal, chamava-se “Braguinha”
Amador Pinho o incentivou levando-o à Rádio onde ele executou o primeiro chorinho. Amador Pinho, chamava-o de “Bengalinha”.
Na década de 20, o Jazz Americano, já contagiava os músicos brasileiros. As orquestras necessitavam de um acompanhamento estridente e paralelo à bateria, (não existiam nessa época as guitarras elétricas) e assim, surgiu o banjo. Originário dos negros americanos, tornou-se um instrumento obrigatório nas orquestras de “Jazz”.
“DADINHO” aderiu ao instrumento, e, por volta de 1927/28, lá estava na orquestra “Santos Rádio Jazz”, com seu banjo de quatro cordas duplas, mais conhecido na época como “banjolim”.
Mais tarde, ainda no banjo, era um dos integrantes da orquestra “Hamleto e Seus Rapazes”. Por volta de 1935, era o banjista de “Luizinho e Seus Rapazes” e, nesse mesmo ano, realizou um de seus sonhos: casando-se com sua eleita Dª. Carmem, exatamente há 67 anos.
Desse casamento nasceram duas filhas: Vânia Lúcia, pianista e cantora, afastada da atividade e a Wilma.
Em 1933, Anibal Augusto Sardinha, o famoso “Garoto”, já tinha lançado um instrumento de origem americana, de nome “Triolim”, muito útil nos acompanhamentos de conjunto regional, jazz e solos.
Muito embora, Joãozinho Amaral, tenha sido um pioneiro nesse instrumento, antecipando-se ao próprio “Garoto”; o “Triolim” foi batizado,por Anibal Augusto Sardinha, aqui no Brasil,, como “Violão-Tenor”.
“DADINHO” sempre curioso e se atualizando, dedicou-se ao violão-tenor, visto que o instrumento além de possuir um som dinâmico, podia ser eletrificado (novidade na época) e assim, em meados de 1935, era um dos “rapazes” da orquestra Nardy e Seus Rapazes, transferindo-se mais tarde para, Cláudio Passos e sua orquestra.
Posteriormente, foi integrante de conjuntos menores dos quais relembramos alguns:
Peruzzi e seu conjunto — Ignácio — Ary do trombone — Galiléo do pistão — Dante do sax — Flamarion do trombone, considerado o melhor do Brasil.
Relacionarmos os inúmeros conjuntos que tiveram a participação de “DADINHO” seria por demais extensivo.
Convém ressaltarmos que, na época em que “DADINHO” tocava nas orquestras ele já tinha o seu regional e dedicava-se ao chorinho. Mas, antigamente, não se ganhava nada, era mais um forma de distração. O regional era convidado, apenas, para casamentos, aniversários e batizados. Somente em orquestras, podia-se usufruir algum dinheiro.
Todavia, antes de se dedicar ao chorinho ele foi responsável pela fundação de 4 conjuntos de Jazz, entre eles, o que se apresentava na antiga Boate Savoy, em São Vicente, composto por: Ligeireza (acordeon) —Paoletti (pistão) — Sabiá (bateria) e o nosso “DADINHO” no violão-tenor.
Foi nessa época que ele viria a conhecer o saudoso “Conjunto Calunga” organizado por Georgina Araújo Moura, integrado pelos meninos: Maurício Moura, então com 12 anos, Maurici Moura, com 10 anos; Gentil da Silva, com 11 anos e a cantora Jarina Rezende, com apenas 9 anos. Todos já falecidos.
“DADINHO” nunca poderia supor que esses meninos, depois adultos, viessem a tocar com ele nas inúmeras oportunidades que se apresentaram.
Tempos que não voltam mais.
Em 1939, Santos comemorava o Centenário de elevação à Categoria de Cidade. Nesse ano, o carnaval aqui em Santos teve um título: “Carnaval do Centenário”.
Não se exibiam, ainda, as Escolas de Samba. O carnaval de rua, resumia-se a desfiles de Blocos, Ranchos, Grupos e Choros, além do corso tradicional.
Na categoria de choros, nesse ano, entre outros, disputaram o titulo de campeão os seguintes: Choro Centenário, Filhos da Floresta, Rumba Calunga, Marujos Santistas, Turunas Santistas e Tudo Branco.
O choro campeão foi o “Tudo Branco”, onde “DADINHO” era um dos componentes já empunhando o quarto instrumento que adotou: o bandolim.
Citemos alguns participantes desse conjunto que, juntamente com “DADINHO” levaram o Tudo Branco à vitória: Cardoso — Wilson — Pézinho — Sota da flauta — Duduca do sax, pai do violonista “Chiquinho do Marapé” e Nelson Baptista Campos, o popular “Nelsinho”, que foi conhecido na década de 40, nas rádios de Santos e outras localidades, como “Nelsinho,o malabarista do violão-tenor” rival de Garoto.
Nelsinho, nos dias de hoje, é um afeiçoado ao bandolim, instrumento a que se dedica com muito empenho e capricho.
Com o surgimento dos conjuntos de bailes animados por fitas, como também a avalanche e divulgação da música estrangeira, “DADINHO” partiu para formação de seu próprio regional, depois de dez anos de inatividade, procurando a profissionalização do grupo, já então dedicado ao bandolim, que não abandonaria mais até nossos dias.
Assim, “DADINHO” em 1975, já aposentado da antiga Cia. Docas de Santos, mas sempre ligado a uma seresta, chorinho ou valsa, entrou em contato com Luizinho (hoje um dos mais respeitados violonista de 7 cordas do país) — Zé de Barros (violão), já falecido, Milton (cavaquinho) — Teco (acordeon) e Carlinhos (pandeiro).
Estava formado o regional, que viria a se desfazer em 1980.
Nesse pouco tempo de existência, o grupo se apresentou no Teatro Municipal de Santos, e, em vários clubes da Cidade.
Da música tocada apenas por prazer, partiram para espetáculos profissionais. Participaram do I Festival Nacional de Choro Brasileirinho, promovido pela TV Bandeirantes onde entre três mil composições foram selecionadas trinta e seis, entre as quais; “Na Casa do Teco” de autoria de “DADINHO”, Luizinho e Zé de Barros.
A música já proporcionou a “DADINHO” muitas emoções. Uma delas, devemos lembrar com orgulho. Foi no período em que ele e seu antigo grupo “DADINHO E SEU REGIONAL”, apresentou-se ao lado do pianista Arthur Moreira Lima, no show “Seis e Meia”, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.
Foram 18 dias de show e de aplausos. Foi muito emocionante para aqueles que assistiram e observaram que, um selecionado público, aplaudiu de pé o grupo santista. Foi, sem dúvida alguma, o primeiro regional de Santos, a se exibir no Teatro João Caetano.
Depois, ainda no Rio, foram convidados a se apresentarem na TV Educativa.
A amizade de “DADINHO” com Arthur Moreira Lima, foi que possibilitou uma maior projeção do grupo e surgiu quando o regional fez sua inscrição para o I Festival Nacional de Choro Brasileirinho.
Na ocasião, o pianista fazia parte do júri que selecionou as músicas concorrentes, e ao ouvir a fita enviada pelo regional de “DADINHO”, veio pessoalmente a Santos acompanhado de alguns representantes da TV Bandeirantes, para conhecer o grupo.
Fascinado, Arthur Moreira Lima os convidou para o acompanhar no show que faria no “Seis e Meia”. Foi nessa época que “DADINHO” e os companheiros tiveram oportunidade de conhecer o produtor musical Marcus Pereira, (já falecido), surgindo daí uma nova amizade.
No final de 1980, o regional estava se preparando para gravar seu primeiro long-play pela marca Marcus Pereira, porém o que para eles significava a concretização de um sonho acabou sendo adiado em razão da paralisia parcial que vitimou “DADINHO”, (já recuperado, graças a DEUS), além de outros problemas de saúde e pessoal envolvendo os demais integrantes resultaram no fim do grupo.
A extinção do regional e a doença fizeram com que, por um tempo, “DADINHO” pensasse em abandonar a música, mas o incentivo dos amigos e da sua esposa, Dª. Carmem Alvarez Bartholoto, renovou o seu ânimo e lhe deu força necessária para que formasse um novo grupo: “DADINHO do Bandolim e Cordas de Ouro”, que mais tarde também se desfez.
Em 1979, “DADINHO” foi convidado a integrar a Orquestra de Cordas que fez uma apresentação no Teatro Municipal. Participou também da apresentação da Orquestra Sinfônica de Santos, no mesmo teatro, composta por 320 figuras.
Além disto, com seu antigo regional, inaugurou um teatro em Santa Rita do Sapucaí e fez shows em várias cidades do interior de São Paulo e Minas Gerais.
“DADINHO” é também compositor. Já fez mais de 68 músicas, entre choros, valsas, boleros e polcas, algumas dedicadas a amigos.
Uma delas, “Nosso Romance”, foi gravada por Leila Silva.
A inspiração de “DADINHO” surge nas horas mais estranhas. Às vezes dormindo quando alguma coisa o faz acordar e pegar no bandolim para compor.
Dª. Carmem já se acostumou a vê-lo tocar de madrugada e brinca com ele, porque ela é sua maior incentivadora e lembra que, durante um tempo a música chegou a atrapalhar a vida doméstica. Eles ficavam tocando até altas horas da madrugada e no dia seguinte, “DADINHO” não conseguia acordar para trabalhar.
Mas, com o tempo as coisas foram se ajeitando. Ele diz que Dª. Carmem é sua maior fã.
O último regional do “DADINHO” foi o “Flor Amorosa” integrado por Moacyr (flauta) Jorge Maciel (violão 7 cordas) Carlinhos (pandeiro) Chico (cavaquinho) Lutero (cantor) e Guiomar (cantora) e Plínio (timba)
Participaram ainda no “Flor Amorosa” Jacarandá (cavaquinho, já falecido); Abelar (violão) Salvador (violão); Miltinho (cavaquinho); Jorginho (cavaquinho); Toninho Guedes (cavaquinho); Mecha (surdo); Ildefonso (surdo); Braga (cavaquinho) e Renato do violão (este morava em São Paulo)..
Detentor de inúmeros troféus pela participação musical onde quer que se apresentasse, “DADINHO” tem ainda uma outra paixão que o envolve! Cozinhar.

Pesquisa e texto elaborados por Jaime Mesquita Caldas por ocasião da comemoração dos 75 anos de idade e 50 anos de casado de “DADINHO”.


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