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Clara nunes

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Clara Nunes nasceu no dia 12 de agosto de 1942, às 18:00h, em Cedro, distrito de Paraopeba, hoje Caetanópolis, Minas Gerais.

Pais: Manoel Pereira de Araújo (conhecido como Mané Serrador, violeiro dos sertões mineiros) e Amélia Gonçalves Nunes.

Médico que fez o parto : Dr. Guilherme Mascarenhas Dalle.

O registro do nascimento foi feito em 26 de agosto de 1942 com o nome de “Clara Francisca”.

Foi batizada na Igreja de Santo Antônio da Comarca de Nossa Senhora do Carmo em Caetanópolis.

Padrinhos: Seu primo Arlindo e D. Zita, grande amiga de D. Amélia.

Primeira escola: Grupo Escolar Cel. Caetano Mascarenhas

Primeira professora: Terezinha do Menino Jesus

Com 13 anos, Clara já trabalhava como tecelã na Fábrica Cia. Cedro Cachoeira e logo depois na Fábrica Renascença em Belo Horizonte.

Morando em Belo Horizonte, Clara cantava na Igreja Católica do Bairro Renascença, onde o regente da orquestra, Jadir Ambrózio, se interessou por ela e lhe deu a primeira oportunidade de cantar em público.

Seu primeiro namorado foi Juarez Álvares (Juju) e entre 17/18 anos Clara namorou com Orlando Barboza, com quem teve um compromisso mais sério.

Incentivada pelos conhecidos e familiares, que viam em Clara muito talento e a esperança dela vir a ser uma grande cantora, ela se inscreveu no concurso A Voz de Ouro ABC, o ano era 1960. Na fase regional, em Belo Horizonte, cantando Serenata do Adeus , de Vinícius de Moraes, obtém o primeiro lugar e direito de representar seu estado na final nacional. Em São Paulo, Clara canta Só Deus ,de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, e leva o terceiro lugar para Minas Gerais. Na sua volta a BH ganha uma programa na Rádio Inconfidência – Clara Nunes Convida.

Em 1966 Clara estréia no disco pela gravadora Odeon. Nessa época havia um tabu que cantora estreante não deveria gravar música romântica. O disco se chamou A Voz Adorável de Clara Nunes e não fez sucesso.


Depoimentos:

1973
"Ainda estou na metade do meu caminho, mas sei que vou até o fim".

1975
"Eu acho que o que há de verdadeiro, o que há de mais puro, o que há de mais sincero e mais espontâneo, que é a força realmente, é o povo. Então, não adianta você querer ir de encontro ao povo, você tem que trazer o povo até você. Então para mim, Clara Nunes, o povo é tudo.
Eu hoje sou uma pessoa muito diferente, muito mais consciente e mais feliz."

1979
"Contribuo com a religião gravando-a em minhas músicas, isso ajuda a parte espiritual. Uso branco por que gosto e os colares são minhas guias."

1978
"Só mudaram o nome das chaminés (quando da ida à Belo Horizonte e trabalhando na Fábrica Renascença."

1981
"Hoje a participação do artista dentro da problemática da sociedade é fundamental. O artista tem uma ligação muito maior com o público e é preciso que esta consciência seja despertada; A partir deste pensamento foi fundado o Comitê da Paz na América Latina sediado no Teatro Clara Nunes."

1982
"Eu tenho a grande missão de cantar, eu acho que todas as pessoas tem uma missão, a gente está aqui nesse mundo, ninguém está passeando ou passando férias, está todo mundo aqui cumprindo um compromisso já assumido em outras vidas, eu entendo assim."
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Texto recolhido do site Em Minas, escrito pelo jornalista Walter Sebastião

Em memória de Clara Nunes

Caetanópolis, terra natal da cantora, lança o projeto de um museu para seu acervo

Quem chegar à pequena Caetanópolis (MG) 90km de Belo Horizonte e 12 mil habitantes, terra natal de Clara Nunes (1943-1983), procurando informações sobre a cantora vai bater, primeiro, na porta da Creche Clara Nunes, do Centro Espírita Paulo de Tarso, que tem entre seus fundadores a cantora. A casa ampla, com retratos e pinturas da artista em diversas salas, atende a 60 crianças carentes, de zero a seis anos, dos bairros da cidade. É uma homenagem a minha irmã. Clara adorava crianças, conta Maria Gonçalves Dias, a dona Mariquita, a mais velha de uma família de sete irmãos, filhos do violeiro Mané Serrador e de Amélia Nunes, falando com carinho da caçula famosa.

É na recepção da creche, sentada diante de um retrato de Clara Nunes com duas crianças, que ela explica que os pais morreram quando a cantora tinha cinco anos, ficando os irmãos mais velhos com a responsabilidade de criar e cuidar dos mais novos. E Deus nos deu a alegria de ter uma irmã que tanta gente admira, conta, explicando, a partir da doutrina espírita, que lutar pelas raízes brasileiras foi a missão da irmã neste mundo. Não se chateia com o fato de, ainda hoje, volta e meia, admiradores da artista baterem na sua porta: Triste seria se ela estivesse esquecida , argumenta, explicando que a idéia de um Museu Clara Nunes (ver box) é antiga.

Acervo

O acervo da cantora está guardado num quarto ao lado da Creche Clara Nunes. Está ali tudo o que faz as delícias dos fãs: os troféus; os santos os católicos ao lado de entidades de umbanda; vestidos, sapatos, cartazes, lembranças, faixas de rainhas. Ou então uma vitrine inteira de bijuterias, guias e colares exóticos, com destaque para as coroas de conchas, parte da indumentária de mãe-de-santo que a artista deixou na memória de todos. As fotos, por sua vez, informam tanto da trajetória da operária de fábrica têxtil que chegou à fama, como reza o mito, quanto sobre a garota interiorana e elegante que, aos poucos, mergulha nas raízes da cultura brasileira.

Desde criança já estávamos acostumados de ver Clara Nunes nos palcos , conta dona Mariquita. Isto é: fazendo graça para as colegas inclusive em carros de som que passavam na rua, nas rodinhas da escola, mais tarde no coral da igreja e nas festas de barriquinha, até chegar aos programas de calouros. Voz de Ouro ABC, em 1960, e terceiro lugar na final nacional do concurso. Daí até as rádios Guarani, Inconfidência, etc. foi um passo. Acrescente-se a atuação como crooner até mudar-se para o Rio de Janeiro, em 1966, e lançar o primeiro disco. Ela sempre soube que ia ser cantora , conta a irmã, observando o mesmo que todos os que conheceram a cantora.

Mesmo já conhecida, Clara Nunes nunca deixou de passar o Natal em Caetanópolis. Ocasião que aproveitava para cantar junto com a folia da terra. É a imagem de foliã que os habitantes adultos de Caetanópolis têm, ainda hoje, da cantora. Dando ares de lenda à vida e obra de Clara Nunes, veio a morte, em 1983, depois de 27 dias de coma, no
auge da fama, vítima de um choque anafilático, durante uma operação de varizes. Clara viveu pouco e deixou uma história, observa dona Mariquita. Ela não cantava por cantar, era dom de Deus, era compromisso espiritual de mostrar as raízes do Brasil que ela tanto amou. Isso a pessoa traz de outras vidas , garante a irmã da artista.

Operária da música

A obra de Clara Nunes está em 16 discos todos raros no mercado o que se pode encontrar são antologias. Eles traçam uma história: da jovem talentosa e elegante, em busca de caminho pessoal até o nascimento de uma diva da canção popular brasileira. Ou melhor até transformar-se em operária da música popular brasileira , como ela gostava de dizer. No início foram boleros, versões e sambas-canções; depois, sambas clássicos, alguns compostos especialmente para ela, como Morena de Angola, de Chico Buarque, ou Guerreira, de João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro.
Estamos apenas começando a descobrir Clara Nunes. É um trabalho que tem consistência, em quantidade e em qualidade. Tudo é atualíssimo e vai ser sempre assim , afirma Paulo César Pinheiro, compositor, que foi casado com a cantora. Aponta um problema: Falta botar os discos dela na rua, tocar mais no rádio, relançar a caixa com todos os discos. É um trabalho que cabe à gravadora. Considera que são bases da música popular, importantes para quem está começando não só como repertório mas pela força do canto, que transmite verdade, sentimento, autenticidade.

Clara Nunes, como conta Paulo César Pinheiro, tem feito uma falta imensa para os compositores de samba: Não é só a beleza do canto, ela lançava compositores, explica. Importante: ele brinca que a canção, Guerreira, é um auto-retrato dela feito por ele.

Canto cheio de promessa

Muita gente se lembra de que Elizeth Cardoso disse que a mineira seria a sua sucessora. Um bom exemplo desta atitude de reverência para com Clara Nunes, vinda dos autores veteranos, é a opinião de Cauby Peixoto sobre a artista: Ela foi uma das artistas mais amadas do Brasil e uma das mais queridas pelos colegas. É uma moça que conseguiu o que poucos conseguiram: ser amiga da difícil Elis Regina. Tinha uma voz linda. Conheci Clara Nunes quando ela ainda estava começando, em Minas Gerais, e tive certeza que seria uma grande artista. É daquelas pessoas que já nasceu cantando bem .

A guerreira também recebe elogios dos novíssimos como a cantora paulista Mônica Salmaso, que, gravou Ilu-Aye, de Cabana e Norival Reis, vinda do repertório de Clara Nunes. Ela tinha uma dignidade na postura de cantar a cultura popular que é impressionante. Seu canto tem ares de louvação das raízes brasileiras. A voz é lindíssima, a atitude louvável e a figura linda, analisa. Clara tinha uma característica dos grandes artistas: tornava-se co-autora , observa.

O museu

O projeto do Museu Clara Nunes vai ser lançado amanhã, às 10h, na Sala Juvenal Dias, do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Na programação do evento, show de Eleny Galvan, que lançou CD em homenagem à cantora. A iniciativa vem da Secretaria de Estado da Cultura e da família da cantora. Prevê a transformação de um antigo cinema de Caetanópolis (MG), doado para a prefeitura da cidade este ano pela Cedro Cachoeira, numa sala de exposição que vai ter ainda um pequeno teatro. O projeto arquitetônico é de Paula Aragão, com assessoria do Iepha, e o projeto museográfico, de Paulo Rossi. Orçado em R$ 300 mil, depende de captação de recursos, via leis de incentivo à cultura para ser implantado. Neste sentido está sendo articulada a criação da Sociedade de Amigos do Museu Clara Nunes.

Este texto não acaba aqui. Sua personagem se perpetua..."


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